SPFW mais inclusiva

SPFW mais inclusiva

Sonia Racy

31 Agosto 2017 | 01h00

Foto: Denise Andrade

Gloria Coelho fez um desfile democrático, ontem, no Hotel Unique. Na passarela, além das boas e velhas modelos, estiveram amigas e clientes da marca, de todas as idades e estilos. Nomes como Marina Lima, Alinne Moraes, Camila Coelho, Teresa Fittipaldi e Isabella Fiorentino, entre outras, estavam no casting da estilista, que quis fazer um manifesto contra o preconceito de idade na moda.

Nos bastidores, Paola de Orléans e Bragança – que não é novata na passarela – lamentava o decreto de Temer que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), na Floresta Amazônica. “Acho péssimo. O que ele está fazendo não estava em nenhum plano de governo, nem do PT, nem do PSDB.”

A Youtuber Camila Coelho, que mora há anos nos EUA, absteve-se de falar de política. “Não estou muito por dentro do assunto”, explicava no backstage de seu primeiro desfile. “Tô muito nervosa…”. Mas respirou aliviada e correu tudo bem. Veterana de outro tipo de palco, a cantora Marina Lima estava tranquila. “Conheço a Gloria há quase trinta anos. Estou muito feliz”, disse ela, que também não concorda com a extinção da Renca.

“O Temer tem que ouvir mais a população. Ele é o presidente com a maior rejeição dos últimos tempos, mas parece que não ouve. Ele ignora o povo o tempo todo. Mas o tempo dele está acabando”.

Voltando à passarela aos 40 anos, a ex-modelo e apresentadora Isabella Fiorentino disse que estava “tremendo na base”. “Estou afastada há muito tempo e agora vou estar ao lado de meninas de 15 anos. Espero que não me comparem a elas, que me vejam como apresentadora e mãe”, afirmou. Segundo ela, apesar da ansiedade, voltar a desfilar para Gloria Coelho tem um peso “emocional” que faz com que este não seja “só mais um desfile”.

Precursor no quesito casting diversificado, Ronaldo Fraga manteve a tradição na seleção de seu desfile, realizado na parte de fora da Bienal.

“Hoje é normal, mas já fui chamado de caricato por colocar gente ‘diferente’ na passarela. Idosos, trans, gordos, negros, portadores de deficiência…Tá todo mundo aqui, mas, neste caso, especialmente, tem muito a ver com o tema do desfile que é a praia”, explicava o estilista enquanto “modelos” como a poeta Alice Ruiz, viúva de Paulo Leminski, e a ex-top Shyneider Garnero ensaiavam sob sol e temperatura acima da média para o inverno paulistano. Até sombrinhas foram abertas pelos menos privilegiados – os que não tiveram a chance de um lugar à sombra, mas que mesmo assim vibravam a cada entrada dos integrantes do variado casting.

“Resolvi fazer ao ar livre, fora da Bienal, porque estamos vivendo tempos áridos. Para responder a tudo isso que os brasileiros estão passando só com muita poesia. E posicionamento também…”, pondera Ronaldo. / MARCELA PAES, PAULA REVERBEL E SOFIA PATSCH