Otimismo dá o tom na abertura da SP-Arte

Otimismo dá o tom na abertura da SP-Arte

Sonia Racy

12 Abril 2018 | 00h52

DENISE ANDRADE/ESTADÃO

Aberta ontem pela manhã, para convidados (hoje a feira abre para o público), a SP-Arte reuniu colecionadores, artistas e galeristas brasileiros e estrangeiros, no tradicional Pavilhão da Bienal. Diferentemente de outros anos, os marchands se mostravam otimistas. Hilda Araújo, por exemplo, confia em ano melhor de vendas. Bem como Marília Razuk e Raquel Arnaud, com as quais a coluna conversou.

Chamava a atenção, na entrada da Bienal, a suntuosa Negra, de Tarsila do Amaral. Datada de 1940, a última vez em que a tela foi vista pelo público, foi em 2015, no MAR. E no mesmo ano, na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. A quadro está no estande da Galeria Frente.

O estande L13, com a apresentação solo d’OSGEMEOS, começou o evento “sold out”. Trata-se de um projeto especial da dupla em parceria com a Fortes D’Aloia & Gabriel. Os artistas prepararam instalação esparramada pelas paredes e pelo chão do espaço, abrigando quatro pinturas inéditas. A dupla, aliás, tinha como meta ontem atacar de DJs no “after-party” da feira.

Para a Pinacoteca, o balaço do dia foi positivo. O museu recebeu doação de 10 obras, totalizando R$ 310 mil. Dentre elas, pinturas de Patricia Leite, Arjam, vídeos de Paulo Bruscky e Marcellvs L., mais um tridimensional de Marcelo Cidade. Entre os doadores, Cleusa Garfinkel, Renata de Paula e a Associação do Patronato Contemporâneo.

Flavia Velloso, do MuBE, comemorava a obra de Marcia Pastore. Exposta em um estande pensado por Paulo Mendes da Rocha, ela faz parte de uma série de quatro obras. Foi doada pela artista para ser vendida em prol do museu. Indagada sobre a polêmica decisão do MAM do RJ de vender um Pollock para sair da crise, a diretora do museu paulista afirmou ser possível tomar outras atitudes: “É só olhar o Masp, que aproveitou seu acervo e conseguir superar a situação financeira”.

Vik Muniz – ele assinou manifesto contra a venda do quadro – pensa o mesmo. “O sonho de qualquer artista é estar no acervo dos museus. Existem outras maneiras de sair dessa situação. Uma delas é recorrer aos próprios artistas que estão dispostos a fazer leilões e ajudar. Vender o acervo é uma tristeza”, afirmou. / MARILIA NEUSTEIN