Reciclando fantasias e materiais, Acadêmicos do Tatuapé poupou R$ 800 mil

Reciclando fantasias e materiais, Acadêmicos do Tatuapé poupou R$ 800 mil

Sonia Racy

09 Fevereiro 2018 | 00h25

ACADÊMICOS DO TATUAPÉ

FOTO: FÁBIO BATISTA/ACADÊMICOS DO TATUAPÉ

Vencedora dos desfiles do Anhembi no ano passado, a escola Acadêmicos do Tatuapé – que vai ao sambódromo hoje – não recebe patrocínio e apostou no reaproveitamento de penas, pedras e outros materiais para poupar cerca de R$ 800 mil este ano.

De acordo com Eduardo dos Santos, o presidente da escola, mais de 90% das fantasias são recuperadas depois do carnaval. Para explicar o espírito por trás da ação, ele cita um samba-enredo da Salgueiro de 1986: “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso!”

Como funciona a reciclagem das fantasias? Os associados – as únicas pessoas que têm o direito de desfilar pela escola – só pagam uma anuidade, de meros R$ 80. Mas, terminadas as festas, eles têm que devolver tudo que usaram. Os materiais vão parar com uma equipe de ateliê, que desfaz a fantasia, estoca e faz um inventário de que conseguiram recuperar.


“Este ano, alguns materiais estão sendo usados pela sexta, sétima vez”, explicou Eduardo à coluna. Além da economia, ele garante que a tradição traz bons resultados para o desfile da escola. “É melhor para a participação dos associados nos ensaios. Não da para comprar a fantasia na véspera, as nossas estavam esgotadas desde o final do ano passado.”

Algumas das alas são comercializadas por inteiro – com fantasias, esculturas e decoração – a outras escolas de samba menores, que também economizam com a compra de materiais usados e podem, de quebra, trabalhar em cima do que foi entregue pela Tatuapé.

Segundo Eduardo, a maior parte do dinheiro que a escola gasta para fazer o Carnaval ainda vem dos valores que são repassados igualmente a todas as 14 escolas do grupo especial de São Paulo. O dinheiro vem da venda de direitos de transmissão, da venda de ingressos e da exploração comercial da publicidade dos desfiles, além do dinheiro repassado pela Prefeitura de SP.

Para complementar, a escola arrecada bilheteria dos ensaios. Mas o presidente diz que a situação financeira está longe da ideal. “Não conseguimos ter tantas condições quanto as outras escolas, a nossa quadra é a única do grupo especial que fica embaixo de um viaduto”, lamentou. /PAULA REBERBEL