Prisão de Cunha espalha tensão em Brasília

Sonia Racy

20 Outubro 2016 | 01h00

Trocando mensagens, do avião que o trouxe de volta do Japão, Temer admitiu, a um interlocutor em Brasília, sua preocupação com a prisão de Eduardo Cunha – que o próprio presidente admitiu que já esperava. 
 
No clima de apreensão geral com o que o ex-presidente da Câmara possa fazer – e dizer –, deputados mais próximos dele ficaram ontem à sombra. “E com a tensão estampada no rosto”, relatou um integrante da executiva do PMDB.

Desligar o celular foi providência praticamente unânime.
 
Medindo o estrago
 
Qual pode ser o tamanho do estrago para o partido? A melhor resposta a essa pergunta foi o comentário feito, à coluna, por esse dirigente. “É mais fácil perguntar em quem isso não vai respingar do que em quem vai”.
 
Vai ter punição?
 
O ex-presidente da Câmara será punido pelo partido? “Ou ele sai ou o PMDB vai ter que se decidir o que fazer”, ponderou a fonte à coluna. Mas lembrou que a sigla não tem tradição de punir ninguém.
 
Em 1989, por exemplo, Felipe Cheidde e Mário Bouchardet perderam o mandato por excesso de faltas – mas a decisão foi da Mesa da Câmara. Depois, Ibsen Pinheiro foi cassado por uma CPI e Genebaldo Correia renunciou antes dessa punição. 
  
Operação silêncio
 
Não houve sinal – pelo menos até o início da noite – de comemoração na alta cúpula do PT, que passou meses acusando Cunha de ter “comandado o golpe contra Dilma”.

Silêncio que, segundo a assessoria da ex-presidente, seria também seguido por ela.