O iluminado

O iluminado

Sonia Racy

13 Outubro 2012 | 01h10

ARQUIVO PESSOAL

Maneco Quinderé, premiado iluminador brasileiro, foi um dos escolhidos para integrar exposição dedicada ao design nacional no Triennale Design Museum, em Milão, agora em outubro. Em conversa com a coluna, ele fala sobre alguns de seus planos, como o de mudar a iluminação do carnaval do Rio.

O que é essa exposição?

Vou apresentar um lustre, chamado Dear Droog, uma homenagem que fiz à loja de design holandesa de mesmo nome – que me inspira muito.

Afinal, o que é luz para você?

Minha vida (risos).

Como você define o atual momento de sua carreira?

Penso luz. Já passei por fases acreditando que o que eu fazia era o maior sucesso do mundo. E vieram fracassos, sucessos de novo. Sigo em frente.

Quais são seus projetos?

Eu e outros iluminadores estamos com um projeto superbacana com a prefeitura do Rio. Queremos mudar a iluminação do Carnaval carioca. Tirar a luz fria de estádio de futebol do Sambódromo para instalar uma luz teatral. Imagine aquela potência de espetáculo com a iluminação de uma grande ópera. Queríamos muito que a aprovação saísse este ano.

Você tem uma carreira superpremiada…

Em teatro, tenho prêmios que já estão extintos. O Brasil não mantém esses prêmios da área cultural. Ganhei o Molière, que era muito conceituado. Fui o primeiro a ganhar na Categoria Iluminação. Estava com 23 anos. Em 1994, ano em que recebi mais um troféu, o Molière foi extinto.

Sua carreira migrou do teatro para o design de interiores. Como foi essa mudança?

Foi quando o arquiteto Claudio Werneck me chamou para fazer o primeiro projeto de iluminação. Não parei mais. Mas continuo trabalhando com iluminação de peças de teatro, shows. Trabalhei na turnê do Chico Buarque no ano passado e também com a Maria Rita.

Qual a diferença entre a iluminação de uma peça de teatro e a iluminação de uma casa?

Se você reparar, nas peças eu já iluminava casas: a casa de Hamlet, a de Nelson Rodrigues. Não vejo diferença, a não ser que, no teatro, você tem de contar uma historinha com a luz, mexer com as emoções do espectador. Já em uma casa, você oferece ao proprietário a possibilidade de “montar” sua própria mudança de emoção. No final, todas as luzes se encontram. Luz é emoção.

O que te inspira?

Além da Droog, as luzes das casas do interior do Nordeste. Lá. não há luminárias, só lâmpada com fio pendurado. Sou de Teresina e, na fazenda, usávamos gerador. Qualquer lâmpada pendurada no meio da sala remete à minha infância, à minha adolescência. /SOFIA PATSCH