‘Não há, de fato, livre iniciativa no Brasil’, diz herdeiro da família imperial

Sonia Racy

05 Outubro 2017 | 08h00

LUIZ PHILIPPE DE ORLEANS E BRAGANÇA

LUIZ PHILIPPE DE ORLEANS E BRAGANÇA. FOTO: DIVULGAÇÃO

Agora é a vez de Luiz Philippe de Orleans e Bragança, herdeiro da família imperial do Brasil, compartilhar a sua visão do País. Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Stanford, o príncipe lança nesta quinta-feira — na Cultura do Shopping Iguatemi — o livro Por Que o Brasil é um País Atrasado?, pela Editora Novo Conceito.

Nele, trata dos movimentos pró-impeachment de Dilma Rousseff – que apoiou como um dos fundadores do Movimento Liberal Acorda Brasil – e até do empresário Joesley Batista, um dos pivôs da crise do atual governo.

“O Joesley é a representação do modelo político e econômico que nós temos. No livro eu chamo de ‘oligarquismo'”, explicou o príncipe à coluna. “Você de fato não tem livre iniciativa no Brasil. Se tivesse, o Joesley Batista não existiria”, defendeu.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como foi participar do movimento do impeachment?

Como todos os brasileiros, vimos que ou vamos pra rua ou a União assume as rédeas sobre o seu destino. Na época do impeachment, havia uma sensação de fraude eleitoral. E nenhum eleitor do Aécio Neves votou nele feliz, votou porque não era a Dilma. Mas, no final das contas, foi melhor a Dilma ter ganhado (e depois caído). Hoje, percebemos que há problemas muito maiores do que tirar Dilma Rousseff, que há problemas maiores que só remover o PT.

Que outras pautas vocês do Acorda Brasil têm?

Logo do início, decidimos aprender quais eram os problemas estruturais do sistema político e propor projetos de lei. Encaminhamos uma proposta de voto distrital puro para o Senado. Enviamos também uma proposta de recall de mandato. Recall para presidente, deputado, para cargos de nomeação do governo…

E o seu livro toca no caso do Joesley Batista?

Sim. O Joesley é a representação do modelo político e econômico que nós temos. No livro eu chamo esse modelo de “oligarquismo”. Temos oligarquias econômicas influenciando oligarquias políticas. Numa condição de capitalismo não regulamentado – quer dizer, sem regulamentos que protejam e favoreçam esta ou aquela empresa – o Joesley Batista nunca existiria. Como ele se financiou? Por meio de empréstimos favorecidos do BNDES. E como ele se protegeu? Por meio de regulamentações que interessavam à ação dele. O fato é que você não tem livre iniciativa no Brasil.

Que modelo de Estado o sr. defende?

A União hoje está sobrecarregada. As funções do Estado deveriam ser voltadas apenas para segurança, Justiça e ordem pública – aí entram algumas autarquias, como para o controle da moeda. Não cabe à União legislar sobre todo o resto. Não vamos fazer jus à diversidade que o Brasil tem com uma estrutura centralizada de governo.

E que modelo de governo defende?

Parlamentarismo na União e federalismo pleno para a organização dos Estados. Aí cada Estado escolheria qual a melhor maneira de governar — se um modelo similar ao presidencialista ou ao parlamentarista. /PAULA REVERBEL

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