Mariana Aydar comanda bloco de forró

Mariana Aydar comanda bloco de forró

Sonia Racy

11 Fevereiro 2018 | 00h30

IARA MORSELLI / ESTADÃO

Mariana Aydar está com frio na barriga. Amanhã ela comanda – pela primeira vez na vida – um trio elétrico. O Forrozin sai de manhã pelas ruas do centro de SP e é dedicado à música nordestina, paixão da cantora, que classifica o ritmo como “rock and roll.” Para ela, a folia paulista é mais politizada, comparada à festa em outros Estados. “O carnaval de São Paulo vem com uma veia política, uma veia do pensamento.” Já Gilberto Gil, que vai cantar 12 músicas ao lado da forrozeira no trio, acha que carnaval e política não dão as mãos. “O carnaval de nenhum lugar é especialmente politizado. É alegria, ritmo e comunicação.”

Confira entrevista com a cantora, feita no tradicional Bar Brahma, na esquina das avenidas Ipiranga e São João, por onde o bloco vai deixar muita purpurina.

Por que estrear seu bloco em São Paulo?
A cidade abriga a maior comunidade nordestina fora do nordeste, é uma homenagem a eles. E os paulistas também estão cada vez mais se empoderando do carnaval, se empoderando da cidade, que é tão diversa e plural. É muito lindo ver as pessoas felizes por estarem ocupando a cidade.


Houve um dia em que mais de 100 blocos saíram pelas ruas de SP. Acha que a cidade passou a competir com Rio e Salvador como um destino de carnaval?
Com certeza. E este ano foi histórico. O carnaval de São Paulo vem com uma veia política, uma veia do pensamento. É muito bonito ver a folia também podendo dar voz. É um ato político.

Conta do Forrozinho.
Então, o Forrozinho nasceu de uma vontade muito forte de mexer com a música nordestina no carnaval, que é minha raiz. Convivi por muito tempo com Luiz Gonzaga, minha mãe era empresária dele. O forró me deu muitas coisas na vida, me deu uma filha, muitos amigos e pé no chão. Foi muito importante conviver com as pessoas nordestinas, elas me mostraram outros valores de vida.

Dizem que forró nasceu da expressão inglesa ‘for all’ – para todos. É um ritmo democrático.
Tem essa história, né. Pra mim forró é rock and roll. O forró é muito foda.

É carnavalesca?
Sou. Passei muitos anos embaixo do trio da Daniela Mercury. A Daniela é uma referência muito forte pra mim, foi com ela que eu aprendi de trio, que eu nem sei o que eu sei, vou saber amanhã.

É a primeira vez que você vai comandar um trio elétrico? Está com frio na barriga?
Total frio na barriga, nervosinho. Mas meus carnavais na Bahia me deram régua e compasso (risos).

E o Gilberto Gil vai cantar 12 músicas no seu trio. Que honra, hein?
Que honra! Sou muitoooo fã! O Gil resume o forró, a tradição nordestina. Ele traz toda essa pluralidade que o nordeste tem. /SOFIA PATSCH