Luiza Brunet: ‘Pior que ser agredida, é ser desacreditada’

Luiza Brunet: ‘Pior que ser agredida, é ser desacreditada’

Sonia Racy

08 Março 2018 | 01h20

Foto: Danilo Borges

Luiza Brunet concordou em dar entrevista à coluna semana passada, logo depois de ter também aberto seu coração ao programa online “Quando Existe Voz”, da Avon. Na conversa,  atriz conta o quanto sofreu com a violência moral a que se expôs, principalmente nas redes sociais. Foi depois que denunciou a agressão de seu então companheiro, Lírio Parisotto, em 2016. Ela afirma que o pior de tudo é ser agredida por… “mulheres em sua grande maioria”. Confira:

Como reagiu ao saber que estava sendo acusada de bater em Lírio Parisotto?
Pior que ser acusada é ser desacreditada, principalmente pelas mulheres. A denúncia foi feita, ficou esclarecido que houve violência, o agressor foi condenado, e as pessoas continuaram a duvidar. Me acusavam de uma grande armação para tirar benefício. Essa é a pior parte. A dor física passa mas a dor moral é muito agressiva. Você adoece porque é muito triste ficar exposta, principalmente nas redes sociais, que hoje em dia, são usadas como instrumento de difamação. Sem dó nem piedade.

Acha que as redes incitam o ódio em casos de assédio?
Roubam sua imagem, sua virtude, seu caráter, sua integridade e a transformam em lixo, como se você fosse realmente uma pessoa sem escrúpulos, mentirosa, aproveitadora. Isso vai replicando e é difícil reverter de imediato. Acho que o resultado do inquérito policial, em que foi constatado que houve crime, é a melhor resposta que posso dar. Mesmo assim, o estrago já foi feito, porque são noites sem dormir.

Foram as mulheres que mais a agrediram nas redes sociais?
Sim, foram as mulheres. Um grupo grande que se fortalece, vai ganhando voz e passando de todos os limites. Inclusive tive que tomar atitudes mais drásticas contra algumas delas. Fiz um B.O., fui ao Ministério Público, registrei a queixa, foi aceita a denúncia e está correndo o processo. Hoje exijo meus direitos. Não vou perdoar, quero que paguem por isso. Elas não tiveram coragem de falar? Então, que tenham coragem para enfrentar na justiça o que elas vêm fazendo.

Com tudo isso, se arrepende de ter denunciado?
Não. Quando você denuncia, de alguma maneira você se cura. Cria muito mais coragem, fica fortalecida. E é muito gratificante fazer parte dessa corrente. / SOFIA PATSCH