‘HU.L.D.A.’ recria 40 anos de dedicação e amor à dança

‘HU.L.D.A.’ recria 40 anos de dedicação e amor à dança

Sonia Racy

21 Abril 2017 | 00h45

Hulda Bittencourt. FOTO: Denise Andrade/ESTADÃO

Hulda Bittencourt. FOTO: Denise Andrade/ESTADÃO

 Aos 82 anos, Hulda Bittencourt volta ao palco. Não mais como bailarina, coreógrafa ou diretora da Cisne Negro Cia. de Dança, mas como homenageada. O novo trabalho do grupo, que estreia hoje no Teatro Santander, celebra os seus 40 anos de existência e a trajetória de uma das mais elogiadas personagens da dança brasileira. À coluna, a diretora resume essas quatro décadas: “Minha vida foi brigar pela resistência e empurrar tudo pela frente”.

H.U.L.D.A é assinado por sua filha, Dany Bittencourt – que assumiu o legado da mãe – e Rui Moreira, que começou a carreira como aluno de Hulda. A direção do espetáculo é do diretor teatral Jorge Takla. Na concepção de Takla, cada letra do nome de Hulda tem um significado na vida e na obra da diretora. H remete ao horizonte; U é união; L é liberdade; D é dança; A é amor.

Conhecida pelo gênio forte, a coreógrafa montou sua primeira escola de balé para provar ao pai que era possível ter a dança como trabalho profissional. “Ele achava que dança era ir para os cabarés – e avisou que não ia ajudar em nada. Comecei dançando profissionalmente na televisão. Chegavam umas roupas fedidas pra gente usar pra dançar em cima da hora, era um horror. Mas foi ali que aprendi a improvisar”, lembrou Hulda durante almoço promovido por Luciana Mantegazza, da Balletto.


Falar sobre idade não é seu assunto predileto – mas ela esbanja bom humor e vitalidade, garantindo que mantém até hoje os mesmos velhos hábitos. “Chego cedinho no Cisne Negro, quero saber o que está acontecendo e o que não está acontecendo. Assisto aos ensaios, às aulas”, conta Hulda.

“Ela bota todo mundo na linha. Dá bronca, mas é totalmente apaixonada por aquilo que faz”, interrompe Takla. E o momento atual na dança no Brasil? “Olha, se eu for declarar tudo o que eu penso… Primeiro, vão me mandar prender. Eu aprendi que tenho que viver bem com todo mundo porque as dificuldades são imensas.. a começar pelas da minha família. Minha vida foi brigar pela resistência e empurrar tudo pela frente. E sempre contanto com muito apoio de grandes e leais amigos que respeitam meu trabalho”, enfatizou a diretora.

O espetáculo que estreia hoje conta com trilha sonora de André Mehmari, figurinos de Fabio Namatame e cenários de Nicolàs Boni. No palco estarão Ana Botafogo, primeira-bailarina do Balé do Theatro Municipal do Rio, e Daniela Severian, ex-primeira-bailarina da Ópera de Wiesbaden. “É sobre uma história de vida e amor. Eu chorei muito resgatando as memórias da minha mãe e da minha família para criar a coreografia desse espetáculo”, contou a filha Dany./JULIANNA GRANJEIA