Gestora fiscal de Doria fala em ‘reavaliar o orçamento de 2017’

Gestora fiscal de Doria fala em ‘reavaliar o orçamento de 2017’

Sonia Racy

29 Outubro 2016 | 00h22

 

FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Ana Carla Abrão não aceitou ser secretária de Finanças de São Paulo, por restrições de ordem pessoal, mas vai colocar “a mão na massa” presidindo o conselho gestor fiscal a ser criado por João Doria. O novo secretário de Finanças, ainda a ser escolhido, dividirá com ela a missão de indicar os nomes para o conselho. “Nossa atuação será sempre complementar na gestão fiscal do município”, resume à coluna a economista goiana — e secretária da Fazenda de Goiás –, “mas o protagonismo será sempre do secretário”. A seguir, os principais trechos da conversa.

O que a levou a aceitar este desafio em São Paulo?
A gestão pública é marcada por muita pressão, mas é igualmente muito gratificante pelo impacto que gera quando os resultados aparecem. Minha experiência em Goiás tem sido extremamente gratificante. Hoje, defendo que todo cidadão deveria passar pelo setor público – para aprender por que o Brasil é o que é, para o bem e para o mal. E também para contribuir, para contaminar o setor público com conceitos e práticas que são naturais no mundo privado, mas não o são no mundo público.


Quais, por exemplo?
Eficiência, meritocracia, necessidade de dar o seu melhor para atingir metas e ser reconhecido. Cuidado com custo, com planejamento, com a avaliação de impacto das suas decisões, compromisso com a transparência… enfim, conceitos que precisam ser incorporados à gestão pública para que o País passe a funcionar melhor e o cidadão possa se beneficiar dos tributos que paga.

Qual o maior desafio de uma cidade como São Paulo?
São Paulo não tem um maior desafio, tem vários grandes desafios. Mas eu destacaria a questão urbana, entre tantas outras urgentes, como a mais aguda hoje. Ao levantar de forma genérica o tema urbano, estou me referindo ao conjunto de desafios que se vinculam à ocupação desorganizada da cidade, consequência de problemas de toda sorte. As cracolândias, que se misturam ao combate às drogas. A degradação de bairros, a questão da mobilidade, deficiências de saúde pública nas periferias.

Como será a transição?
Começaremos pelo entendimento dos números fiscais, avaliando a lei orçamentária de 2017. A gestão que começa agora é marcada por essa nova mentalidade, pela premissa básica de que todos os projetos têm de partir da total clareza em relação às possibilidades do ponto de vista fiscal e financeiro.

Já conhecia João Doria?
Conhecia muito pouco. Tive a oportunidade de estar com ele em duas ou três ocasiões. Talvez por isso tenha sido tão positivamente surpreendida desde a primeira conversa. A identificação com a agenda, com o discurso, com o desafio e até mesmo com a forma de trabalhar (sim, também sou metódica e trabalho muito…) gerou uma convergência que foi determinante para que chegássemos ao modelo mais adequado para a minha participação.