FHC faz debate sério, mas bem-humorado, sobre o futuro

FHC faz debate sério, mas bem-humorado, sobre o futuro

Sonia Racy

12 Agosto 2017 | 01h15

O EX-PRESIDENTE, EM DEBATE PROMOVIDO PELA ATHIÉ WOHNRATH. FOTO GABRIEL MANZANO/ESTADÃO

O bom candidato à Presidência, ano que vem, tem de ser “alguém que fale duro contra a corrupção”. Mas que entenda, também, que o liberalismo “nunca entrou” no imaginário da maioria do eleitorado. Que saiba que os partidos, no Brasil, estão inteiramente afastados de uma sociedade já intensamente conectada. Por fim, que entenda que o establishment político sofreu sérias derrotas nos EUA, com Donald Trump, e na França, com Emmanuel Macron. Foram dicas assim que FHC espalhou, anteontem à noite, em debate com Arnaldo Jabor sobre “o legado da Lava Jato e as perspectivas da nação, em evento organizado por uma empresa de arquitetura, a Athié Wohnrath, na Casa Fasano, em São Paulo.

À parte os conselhos eleitorais, o ex-presidente divertiu-se e divertiu à plateia de empresários, durante o debate – moderado por Carlos Sardenberg –, com uma sequência de tiros à queima-roupa. Por exemplo, quando se falou de reforma trabalhista e lhe perguntaram como conseguiu aprovar, em 2.000, a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Aprovamos do mesmo jeito (da atual reforma). Ninguém percebeu!”, disse ele. Quando Jabor revelou nunca ter tido uma conversa direta com Lula, mas que um dia o petista o tocou no braço, FHC perguntou: “Você se arrepiou?”.

Em outro momento, Sardenberg referiu-se a uma “operação abafa” que estaria ocorrendo no combate à corrupção e o tucano o cortou: “Você tem dúvida?” E ao falarem de sua longa experiência política, ele interrompeu a frase para brincar: “Eu nunca imaginei ser presidente. Eu queria ser papa!”


Mas sobrou tempo, nos mais de 60 minutos de conversa, para sociologia. Sobre tirar Temer do poder, por exemplo, FHC ponderou: “Nenhum país pode se dar o luxo de trocar o presidente a cada seis meses.” E os fenômenos Trump, Macron e Brexit, advertiu, nasceram “de um mesmo discurso, de dar coesão a uma sociedade fragmentada. E o voto vencedor, nos três casos, foi o dos que perderam com a globalização”. / GABRIEL MANZANO