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Fazer novela não é prioridade para Fernanda Lima: ‘Nunca tive tesão de ser atriz’

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Fazer novela não é prioridade para Fernanda Lima: ‘Nunca tive tesão de ser atriz’

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Sonia Racy

04 Janeiro 2016 | 02h00

Realizada na profissão, e pronta para nova
temporada da série Amor e Sexo, a apresentadora
diz que se encontrou como mãe
e que adoraria apresentar a Olimpíada do Rio

Foto IARA MORSELLI/ESTADÃO

Foto IARA MORSELLI/ESTADÃO

Fernanda Lima se prepara para estrear mais uma temporada, a nona, de seu programa Amor e Sexo, dia 23, agora nas noites de sábado, na TV Globo. Sobre a nova fase do espetáculo, que voltou a pedidos do público, ela diz se sentir mais desafiada do que nunca. “Em uma época em que o politicamente correto está gritando e a mulher não aceita mais ser tratada como submissa, entre outras coisas, é um período mais delicado”. Mas ela se diz feliz com o resultado. “Já gravei cinco dos dez programas e eu estou super-satisfeita. Um é mais politizado, o outro é mais sério, outro mais besta e um outro mais safado”.

A satisfação profissional com o atual momento é acompanhada de uma constatação: ela gosta de fato disso, e pensaria muito antes de aceitar convite para voltar a fazer novela. “Nunca senti esse tesão. Fazer novela é algo assustador, é para quem sabe fazer”, admitiu à repórter Sofia Patsch, que recebeu na Padoca do Maní, braço de seu bem-sucedido restaurante Maní, em Pinheiros. 

Entre uma xícara de café e um pãozinho recém-saído do forno – sim, ela come pão – a apresentadora mostrou-se uma “chefe gente boa”: abraçou os funcionários e brincou com a chef de cozinha Paola Carosella. “Adoro ela’, confidenciou. Quando fala nos seus filhos, os gêmeos João e Francisco, de sete anos, Fernanda se mostra uma mãezona. “Se eu não for quem vai ser, né?”. E diz que reserva para eles todas as manhãs em que não está trabalhando. Realizada como apresentadora, disse que adoraria apresentar a Olimpíada do Rio. A seguir, os melhores trechos da entrevista.

Oito anos de Amor e Sexo. O programa voltou a pedido do público. Como você vê, numa época em que as pessoas se enjoam tão facilmente das coisas, o programa fazer sucesso há tantos anos?
E agora vem aí mais uma temporada, em uma época em que o politicamente correto está gritando, em que estamos aí com essas questões do Congresso. Os caras querendo barrar coisas absurdas, em uma época em que a mulher não aceita mais ser tratada como submissa. Numa época em que a gente não pode falar sobre o racismo, porque eu, sendo branca, não tenho esse direito. Então, é um período muito delicado. Mas a gente vai de novo abraçar todo mundo porque não segregamos as pessoas.

Se sente mais desafiada ao começar essa temporada?
Sim. Mas eu já gravei cinco programas de dez previstos e estou super-satisfeita com o resultado. Um programa será mais politizado, o outro mais sério, o terceiro mais besta – e o outro programa é mais safado. Acho que está bem equilibrado.

Acredita que acertaram na linguagem?
Agora o meio está cheio de programas que falam do assunto… na época em que começamos eles não existiam. E cada vez mais acho importante falar sobre o tema, porque a gente vem enfrentando uma série de polêmicas e tabus – e então eu acho que o assunto é muito pertinente. E eu amo fazer o programa, adoro esse trabalho. Na verdade, cada vez que acaba uma temporada a gente diz que ele não vai mais voltar porque é difícil de fazer.

Você passa a impressão de estar bastante à vontade com o tema quando está no palco.
Lá no palco eu nem sinto, é como se eu estivesse indo pro parque de diversões brincar com os amigos. Mas a parte do conceito e da escrita é realmente muito delicado.

Seus filhos já assistiram ao seu programa?
Eles nunca tinham assistido durante esses 7 anos, porque ele entrava no ar à meia-noite, e nessa hora eles já estão dormindo há horas. Por mim, nunca fiz questão de que eles vissem. A única coisa que eu levava para eles eram as coreografias, as danças, que eles gostavam de ver. Então eu gravava e mostrava. O programa, o conteúdo, não. Ano passado, fui gravar um programa com uma pauta de dança no início e eles queriam muito ver. E pediam: “Ah mãe, leva a gente no seu programa”. Eu disse “ok, então vou levar”. Aí chegou o dia da gravação eu os levei pro Projac, rolou a gravação. Eu tinha pensado que eles iam ver o musical e iriam embora. Mas eles foram para a suíte, botaram o fone no ouvido, ficaram comigo no ponto dizendo: “Mãe, você tá linda, mãe”, não sei mais o que. E quiseram assistir o programa todo. Então eles assistiram o programa inteiro e realmente entraram em contato com o que a mamãe faz.

Aí vieram as perguntas…
Um bombardeio! Esse dia já ia chegar. Então, que fosse através de mim, que fosse vendo o meu trabalho… E, mesmo um pouco confusos, que eles levem esses conceitos adiante.

Você também é roteirista do programa, não?
É, sou roteirista e é muito delicado, porque a gente passa por assuntos muito perigosos e que precisam ser tratados. Sempre optamos, é claro, pelo caminho da leveza, quando possível com muito humor.

Como surgiu o convite para apresentar o programa?
Foi o Ricardo Waddington que me propôs. Eu fazia novela na época e não estava satisfeita. Nunca tive esse tesão de ser atriz, nunca fui atriz, né?

Quer dizer que você não pretende fazer mais novela?
Sinceramente, não sei, depende muito do projeto. Novela pra mim é algo um pouco assustador, porque são nove meses, o que representa, a meu ver, um compromisso muito intenso. Cinema é uma coisa diferente, que eu tenho vontade de fazer, porque acredito que permite mais tempo para se trabalhar as emoções. Novela é pra quem sabe fazer.

Não se sente à vontade como no palco, apresentando?
Até me sinto à vontade, mas mexe muito com as emoções e não me sinto preparada para todo dia ir ali e descascar um trauma, uma emoção. Porque mexe, ainda mais para quem não tem experiência. Agora apresentar é uma coisa que, pra mim, é realmente confortável. Me sinto muito bem fazendo.

Você já apresentou o sorteio da Copa, eventos internacionais. Tem algo que você tem vontade de apresentar que ainda não apresentou?
A Olimpíada! (risos).

Não recebeu convite?
Não. Sou embaixadora da Paraolimpíada, o que me deixou bastante orgulhosa, porque sou muito ligada em esporte. Acho que, se o meu trabalho não fosse na TV, com certeza seria voltado para o esporte.

Você é muito engajada quando o assunto é esporte, até dá aulas de ioga para a comunidade da Cidade de Deus.
Olha, na verdade até que não estou tão engajada assim. Quanto à história lá da Cidade de Deus, eu não tenho mais conseguido ir, mas pago minha professora de ioga pra dar aula para eles. Também ofereço aula de ioga e curso de inglês para meus funcionários do Maní.

A ioga é uma atividade mais que presente em sua vida…
A ioga foi de fato muito importante na minha vida – e é até hoje, pratico pelo menos uns 20 minutos toda manhã. Quando comecei, era uma rebelde sem causa, não sabia lidar muito bem com o fato de ser conhecida e a prática me deu chão.

Você é um exemplo de boa forma. Toda hora aparece foto sua na praia, com o corpo em forma, um lifestyle saudável. Como lida com essa exposição permanente?
Essa exaltação eu não alimento e não sou tão natural assim, sabe? Uma vez por semana como cheeseburger e pizza, durante a semana a gente come bem lá em casa, arroz, feijão, purê e bife… Mas dou minhas escapadas, sem paranoias.

Você é casada com um cozinheiro de forno e fogão e é dona de restaurante. Curte esse mundo gastronômico?
Eu adoro!

Dá palpite no menu do Maní?
No menu não, eles são muito craques. Mas todo resto, toda parte de arquitetura, decoração, o conceito, olha, uma xicrinha, tudo isso passa por nós, como é que a coisa vai ser apresentada e tal.

Você mora no Rio. Não lhe baixou ainda a vontade de abrir um outro Maní, mas em terras cariocas?
Tenho vontade, sim. Mas o Rio tem outras barreiras, lá temos dificuldade de mão de obra, é uma situação bem diferente da de São Paulo.

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