‘Esquerda usa Marielle para enfraquecer Temer’, diz analista

‘Esquerda usa Marielle para enfraquecer Temer’, diz analista

Sonia Racy

20 Março 2018 | 00h45

MURILO ARAGÃO. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Atingidas por diferentes desafios, as esquerdas brasileiras “tentam explorar o assassinato da vereadora Marielle Franco como um fato político”. Mas “a sociedade, em sua maioria, não vai aceitar” essa versão. A avaliação é do cientista político Murilo Aragão, da Arko-Advice, em Brasília. Sua análise é de que, “potencialmente” o episódio, que abalou a vida do Rio, “não vai afetar” as eleições presidenciais de outubro.

A que o sr. atribui a politização, pela esquerda, do assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, no Rio de Janeiro?
Isso está acontecendo porque elas necessitam de uma narrativa para enfraquecer ao mesmo tempo o governo, a intervenção federal, as instituições e o universo não esquerdista da política. Apesar de parte da imprensa comprar a “narrativa” que promove Marielle a uma espécie de mártir, penso que a sociedade, em sua maioria, não vai entender dessa forma.

Acha que o crime pode prejudicar a imagem do governo?
Sim. A imprensa tem dado amplo destaque ao assunto. Aconteceram protestos em algumas das principais cidades do País. A consequência pode ser um novo desgaste na popularidade do governo Temer. Um desgaste que, mais adiante, pode – ou não – ser recuperado.

O episódio, pelo caráter dramático que tomou, pode enfraquecer a intervenção no Rio?
Não enfraquece nem fortalece, apesar do esforço feito contra, pela esquerda, e de setores da mídia. A meu ver o destino da Operação depende muito mais da competência do governo do que do episódio em si.

O que seria importante acontecer para mudar o atual clima?
De modo geral, o episódio tende a perder destaque. Salvo se, em algum momento próximo, as causas do assassinato forem descobertas e revelarem fortes ligações com a intervenção ou com os responsáveis por ela.

E quanto às eleições presidenciais? O crime pode mudar o atual cenário?Potencialmente, não. Mas vejo duas possibilidades concretas no caso. A primeira é que, se os autores do crime forem descobertos rapidamente, o tema poderá ser explorado de modo favorável pelo governo. De outro lado, paradoxalmente, a não descoberta dos autores pode dar alguma narrativa para as esquerdas, mas cairá – para a opinião pública – no vazio das tantas milhares de mortes que ocorrem rotineiramente no País.