Direto de SP

Direto de SP

Sonia Racy

02 Outubro 2012 | 01h01

PEDRO BONACINA/AE

Katty Kay, âncora da BBC em Washington, veio pela primeira vez ao Brasil semana passada. Motivo? Apresentar especial sobre educação brasileira no BBC World News, diretamente do alto do Edifício Martinelli. Impressionada com o frio paulistano e encantada com o café brasileiro, a moça – que já cobriu quatro eleições americanas e três guerras – conversou com a coluna sobre seu livro Womanonicse deu palpite sobre o País: “Se não mudar a educação, o Brasil não conseguirá acompanhar os Brics”. Seguem trechos da conversa.

Do que trata o especial Brazil Direct?

Queríamos abordar não só economia, Copa e Olimpíada, mas o investimento que o Brasil faz na educação. Visitei escolas, e professores nos relataram que falta treinamento técnico e que os salários são muito baixos. Se o Brasil quiser se desenvolver e continuar nos Brics, terá de pensar nisso. A China, assim como a Índia, está investindo em tecnologia e conhecimento.

Você já cobriu quatro eleições americanas. Qual sua sensação agora?

Os EUA estão passando por uma fase desafiadora. Para continuar competitivo, o país terá de elaborar novas políticas. E, em campanhas, normalmente os candidatos tratam de coisas menos importantes.

O slogan de Obama é “Forward”. Acha que ele não fez o bastante nesses quatro anos?

Obama assumiu quando o país estava muito pior. Fez mais do que poderia, como mudar o sistema de saúde. Foi um grande passo, até imprudente, pois custou popularidade. Talvez ele devesse focar mais na economia e na criação de empregos. É com isso que os eleitores estão preocupados.

Seu livro Womanomics fala do poder da mulher no mercado de trabalho…

Hoje em dia, é cada vez mais aceita a mulher que trabalha, ganha bem. O Brasil é um ótimo exemplo, não só pela presidente, mas pelo número de ministras e parlamentares mulheres. Há alguns anos, isso era incomum. Existia um pensamento feminino majoritário de “nossa, sou sortuda de ter meu emprego”. Mas não somos sortudas, somos apenas boas.

As empresas estão percebendo isso?

Sim. Estão chegando à conclusão de que vale a pena manter mulheres em cargos altos. Tomamos boas decisões, sabemos ponderar, somos eficientes. Conseguimos fazer duas coisas ao mesmo tempo, e a tecnologia ajuda. Posso trabalhar e pegar meu filho na escola. E as empresas se beneficiam disso. Desde que façamos bem nosso trabalho, não importa onde estamos. Os resultados têm mostrado isso./MARILIA NEUSTEIN