Em quatro anos, crédito cresce 25% e despesas com provisões de bancos 100%

Sonia Racy

17 Agosto 2017 | 01h00

Tem muita gente preocupada com o efeito da crise sobre os bancos, que têm restringido crédito e registrado inadimplências maiores. Na busca por dados, a coluna encontrou números da Austin Rating que registram, sim, um avanço significativo nas despesas com provisões.

De 2013, quando a economia ainda dava ares de normalidade, até 2016, o crédito dos cinco maiores bancos do Brasil cresceu… 25%. E a despesa com provisões? Quase 100%.

Bancos aumentaram seu
colchão contra calote

No ano de 2013, o total de despesas com provisão – isto é, quanto esses bancos guardaram no caixa, e deixaram de ganhar, para fazer um colchão contra o calote de empresas e pessoas físicas – foi de R$ 66,662 bilhões.

Aí começou a hecatombe da crise e as despesas subiram para R$ 77,9 bilhões em 2014, R$ 108,0 bilhões em 2015 e R$ 111,5 bilhões em 2016.

Dinheiro do ‘colchão’
deixou de circular

Ou seja, em quatro anos, deixaram de circular na economia R$ 360 bilhões. Esses recursos, em cenário normal, seriam direcionados para crédito e gerariam lucro correspondente para o sistema financeiro.

E o crédito
pouco cresceu

O crédito acompanhou as provisões? Não. O total concedido, durante 2013, ficou em R$ 2,050 bilhões. E em 2016 não passou dos… R$ 2,502 bilhões.