Com nova lei, Copan poderá viabilizar reforma

Com nova lei, Copan poderá viabilizar reforma

Sonia Racy

28 Abril 2017 | 00h30

Fachada do edifício Copan coberta. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

 

A tão esperada reforma do edifício Copan, iniciada em 2014, pode, finalmente, ter um desfecho. Decreto que a Prefeitura paulistana publicou no último dia 19 permite que patrimônios públicos tombados possam ter apoio da iniciativa privada divulgado em tamanho maior do que a lei anterior – a placa informativa poderá ocupar até 25% da altura da fachada, sem exceder a área de 2 mil metros quadrados.

Na prática, é a concretização de um antigo pedido de apoio financeiro reivindicado por Afonso Prazeres, síndico do famoso edifício projetado por Oscar Niemeyer que se tornou um dos ícones da região central de São Paulo. O decreto traz a devida autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

Coberto de alto a baixo por uma imensa tela azul, o edifício – que abriga mais de 2 mil moradores – aguarda a finalização desse processo para avançar com a obra. Um dos impasses, no momento, é o preço da pastilha de cerâmica, semelhante à original, a ser colocada na fachada.

O decreto recém publicado abre caminho, por exemplo, para se tentar um patrocínio da empresa de pastilhas ou ainda de empresas ou instituições que tenham interesse em apoiar projetos que valorizem o patrimônio paulistano. “Não haverá interferência no imóvel porque a placa com slogan ficará na tela de proteção. E o decreto é válido apenas para restauros”, explica Mariana Rolim, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico do Conpresp.

A nova lei beneficia também a recuperação de esculturas e monumentos públicos. Segundo a diretora, já na primeira semana de vigência o representante de um outro edifício tombado manifestou interesse em abrir idêntico processo. Para conseguir essa autorização, no entanto, é necessário apresentar ao conselho um planejamento da reforma, detalhado no decreto 57.667.

“É importante termos o conjunto da obra, do que vai ser feito antes, durante e depois. Não necessariamente um prazo estabelecido, mas a organização de todo o trabalho”, explica Mariana. “Temos uma grande expectativa de que o mercado reaja bem e se interesse em patrocinar o patrimônio tombado de São Paulo”, acrescenta. / JULLIANNA GRANJEIA