Ballet Stagium faz 46 anos com campanha para não fechar

Ballet Stagium faz 46 anos com campanha para não fechar

Sonia Racy

21 Outubro 2016 | 00h50

Marika Gidali e Decio Otero. Foto: Iara Morselli/ESTADÃO

Marika Gidali e Decio Otero. Foto: Iara Morselli/ESTADÃO

A data é de celebração, mas os tempos são de crise. O Ballet Stagium comemora 46 anos neste fim de semana com a estreia de um espetáculo novo e recolhendo assinaturas para ser reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro. Com o título, a direção da companhia espera conseguir ajuda para não fechar as portas.

Os criadores da companhia, Marika Gidali, 79 anos, e Décio Otero, 83, estiveram no último domingo na Avenida Paulista para divulgar o abaixo-assinado, que também está na internet. A meta é atingir 10 mil assinaturas.

A escola, que consolidou o balé moderno no Brasil, nunca viveu uma crise tão grave. Perdeu cerca de 40% dos alunos no último ano. Eram as mensalidades que bancavam o aluguel do prédio na Rua Augusta, região central de São Paulo, desde 1974. O projeto social da companhia, que antes atendia 300 crianças, agora tem só 70.

“Estamos vivendo uma mendicância cultural. Com todo o nosso histórico, nossos prêmios, nossa identidade nacional e, mesmo assim, não temos mais como manter a companhia. É inacreditável”, diz um Décio indignado.

Sem patrocínio fixo e com apoio apenas de editais da Prefeitura e do Governo de São Paulo, a companhia está endividada. “Se eu fizer a conta de quanto nós estamos devendo, eu paro já. O pessoal está contabilizando, mas eu não tenho coragem de ver. Quem sabe com o título de patrimônio nos respeitem mais, já que a palavra Stagium não é suficiente. Não estamos passando o pires, apenas queremos o reconhecimento do espaço que merecemos”, diz Marika.

Para ela, há uma má distribuição da verba destinada para a dança. “Em editais, ganhamos o mesmo do que uma companhia que começou ontem”.

Apesar de achar que, se não conseguirem um patrocínio até o fim deste ano, em janeiro de 2017 o famoso portão da Rua Augusta não deverá abrir, Marika conta que não desanima. “Minha resposta pra qualquer dificuldade é trabalho. Não queremos lamentar”, diz Marika, que estará acompanhando os 12 bailarinos do elenco de Preludiando no sábado e no domingo, no Sesc Bom Retiro. O espetáculo é uma homenagem ao compositor Claudio Santoro./JULIANNA GRANJEIA.