Sonia Racy

26 Março 2016 | 01h40

 

Para Francine Jay, uma assumida defensora de “espaços vazios”, quanto menos coisas tivermos desorganizando nossas casas, mais energia sobra para nos dedicarmos a apreciar a vida e a pensar claramente sobre coisas importantes. 

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Na apresentação de seu blog, a escritora americana se autodenomina minimalista. E é com essa definição que Jay, autora do livro Menos É Mais (Objetiva), vendeu cerca de 25 mil livros nos EUA com suas dicas de desapego material e organização. A escritora conversou com a coluna por telefone, deu dicas de como organizar espaços e se desfazer de excessos.

Por que e como decidiu escrever esse livro?
Comecei com um blog, escrevendo sobre como essa escolha de vida – viver com menos – me tornou uma pessoa mais feliz. E meus leitores responderam de maneira entusiasmada, comentando os posts, me perguntando por dicas e técnicas. Reuni tudo em um livro porque quis compartilhar um pouco da minha experiência.

Não sofreu nenhuma crítica?
Meus leitores, normalmente, são pessoas que estão desconfortáveis com seu modo de vida, buscando por mudanças depois de perceber que comprar muito e acumular em casa não faz ninguém mais feliz. Então, só recebi feedback positivos, especialmente de leitores que aprenderam a organizar suas vidas e se desapegaram de muitos bens materiais.

Quando você descobriu o prazer de viver com menos?
Há dez anos, eu e meu marido éramos acumuladores natos. Mudávamos muito de casa e, a cada mudança, precisávamos de um caminhão maior. Começamos a perceber que, quando viajávamos, na hora de fazer a mala, levávamos apenas o essencial. E com isso nos sentíamos leves, porque não tínhamos muito conosco. E aí nos perguntamos: por que não tentar viver assim? Decidimos nos desfazer de muitas coisas e nos sentimos mais livres, sem ter à volta um monte de coisas que nos prendem.

Acredita que é uma tendência?
Acho que sim. Especialmente por causa da internet. Há dez anos, quando tomamos essa decisão, não havia outras pessoas a quem falarmos sobre isso. Hoje, há muitas comunidades cheias de dicas e de histórias inspiradoras de gente que também quer viver assim. Antes disso, a única mensagem que recebíamos era de anúncios publicitários dizendo “quanto mais, melhor”, “compre mais e seja feliz”. Mas agora podemos nos comunicar, por blogs e mensagens – e achar o que de fato faz sentido.

Uma das tendências das grandes cidades é ter apartamentos menores. No entanto, o incentivo ao consumo não diminui. Como resolver essa equação?
Para mim é simples: comprar menos (risos)! Uma pessoa não precisa comprar tudo o que a propaganda oferece. Ter muitas coisas não faz a vida de ninguém melhor. Pelo contrário, pode tornar o dia a dia mais estressante.

Quais as dicas que as pessoas mais procuram com você?
Muitas. Mas eu sempre digo, em termos de organização, o primeiro passo é esvaziar os espaços. Não importa se é um quarto, um armário ou uma gaveta. Depois de esvaziar, escolher o que você quer manter. Acredito que é mais fácil escolher o que manter do que o que jogar fora.

E como fazer quando, em um casal ou uma família, uma pessoa é organizada e minimalista e a outra não?
É mais fácil ensinar isso a crianças do que adultos (risos). Além de constatar que com menos em casa é mais fácil não perder as coisas, há outra boa razão, e divertida –a financeira. Como propor ao seu cônjuge que vender algumas das “tralhas” da casa pode render um dinheiro a mais para aquela viagem ou começar um negócio juntos. Pode ser divertido.

Além do consumo material há hoje um outro tipo de consumo, que é o virtual. Passamos muito tempo na internet consumindo conteúdo. Acha que suas dicas valem para esse tipo de excesso também?
Eu tenho que me policiar muito porque sou uma grande consumidora digital. Mas é importante prestar atenção nisso, porque sobra pouco tempo para fazer outras coisas na “vida real”. Acho bom colocar metas de só entrar em uma rede social durante uma hora determinada do dia, por um tempo “x”. Ou só passar meia hora lendo artigos e mandando e-mails. Isso é importante porque a organização mental se reflete na vida externa. / MARILIA NEUSTEIN