Apostas de uma noite de verão

Apostas de uma noite de verão

Sonia Racy

24 Março 2015 | 01h20

Foto: Denise Andrade/Estadão

“Para se enfrentar uma crise econômica, não há outro remédio a não ser construir uma solução política”, ponderava José Sarney no começo da noite de aniversário de Marta Suplicy, sexta-feira passada, penúltimo dia de verão. A cautela de um ex-presidente, em reunião que incluía o vice, Michel Temer, dois governadores e um batalhão de lideranças partidárias, fez do atual momento – entenda-se, a crise do governo Dilma – o prato forte da festa, competentemente organizada pelo marido da senadora, Márcio Toledo, em seu apartamento nos Jardins. Os comentários se espalhavam e boa parte dos presentes entendia que a busca de uma saída passa, necessariamente, por um grande entendimento suprapartidário.

Não se ouviu falar em impeachment, mas, sim, da necessidade de se formar um novo arco de alianças para governar o Brasil. Amplo, abrangente e diversificado, “como este representado, em parte, por convidados que estão na festa”, sugeriu um dos presentes.

Na turma do PIB, entretanto, não era de Dilma ou Temer que se falava – o assunto recorrente era o “furacão Cunha”, como alguém ali batizou o presidente da Câmara. Boa parte da iniciativa privada paulista não esconde a forte impressão que lhes causam o preparo, a determinação e – na definição de empresários e banqueiros – a capacidade de Eduardo Cunha de entregar resultados.

Além dos políticos de todas as gamas (um só representante do PT e outro do PSDB), estavam, acompanhados de suas mulheres, Joesley Batista, José Olympio Pereira, Gustavo Junqueira, José Seripieri, Ivo Rosset, Gustavo Halbreich, Walter Appel, Roberto Rodrigues, Orlando Marques, Lawrence Pih, Claudio Lottenberg e João Rodarte, além de Naji Nahas, Lírio Parisotto e Silvio Tini de Araújo. Na varanda instalou-se a ala do Judiciário: José Renato Nalini, presidente do TJ paulista, o ministro do STF Gilmar Mendes e Nelson Jobim, sob os olhares atentos do desembargador Otávio Toledo e dos advogados Kakay, Alberto Toron, David Rechulski e Luiz Flávio D’Urso.

No balcão da cultura pontificavam Bruno Barreto, Aníbal Massaini Neto e o ex-Funarte Guti Fraga, que conversava com Manoel Rangel, presidente da Ancine, e Antonio Hélio Cabral. Ricardo Trevisani, do restaurante Loi, e Carlos Bettencourt, do A Bela Sintra, chegaram com Ismael Martins, do Fasano e Gero, e o embaixador Rubens Barbosa.