Após a Mãos Limpas, Itália ainda sofre com corrupção

Após a Mãos Limpas, Itália ainda sofre com corrupção

Sonia Racy

25 Outubro 2017 | 00h55

GHERARDO COLOMBO, PIERCAMILLO DAVIGO, DELTAN DALLAGNOL, E SERGIO MORO

GHERARDO COLOMBO, PIERCAMILLO DAVIGO, DELTAN DALLAGNOL E SERGIO MORO. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Bastante resignado, Gherardo Colombo, ex-juiz e promotor à época da operação Mãos Limpas, contou ontem à plateia do auditório do Estadão, no debate sobre a Lava Jato, que a Itália continua sofrendo hoje com a corrupção, tanto como antes. “A diferença é, antes, quem era pego pela Justiça, tinha vergonha. Hoje, ninguém tem mais”.

Indagado, depois, sobre uma possível influência doa sucesso da Lava Jato em uma volta de nova operação Mãos Limpas, Colombo não se animou. “O impacto será zero.”

Lava limpo 2

Sergio Moro discordou e classificou a Mãos Limpas com um sucesso. “A sociedade é que esperava, da Justiça, mais do que deveria. O juiz de Curitiba impressionou boa parte dos presentes. As palavras mais ouvidas eram “equilíbrio”, “foco” e “determinação”.

Moro também deixou claro, mesmo que indiretamente, por que está se expondo: “Sem o apoio da sociedade e esforços de outras áreas governamentais, tudo pode terminar “à italiana”.

Lava Limpo 3

Dallagnol, por sua vez, comparou o desânimo dos brasileiros em voltar às ruas com experiências científicas feitas com cães presos em compartimentos. “Uns levaram choque mas apreenderam a desligá-lo apertando um botão com o nariz. Aos outros não foi dada essa opção”.

Conclusão: presos em outro lugar, os cães com experiência de “saída” pularam uma cerca quando receberam choques. Os outros “sem saída” deitaram e desistiram.

A saída do brasileiro hoje, segundo Dallagnol, é o voto.

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