“Amyr se equivoca”

Sonia Racy

26 Setembro 2014 | 23h59

José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Escola Politécnica da USP, ficou contrariado com algumas afirmações de Amyr Klink a esta coluna, na edição do dia 1º. Principalmente quando o célebre velejador diz que “a USP é a única universidade do mundo que ensina Engenharia Naval e nunca construiu um barco”.

O professor titular da Poli conversou sobre o tema.

Por que o senhor não gostou da entrevista?
Amyr Klink fez afirmações sobre a USP e seu curso de Engenharia Naval que precisam ser reparadas. Ao contrário do que ele falou, construir embarcações não é função da Universidade de São Paulo. Para isso existe a indústria naval. O que a USP faz, por meio de sua Escola Politécnica, é formar engenheiros navais e realizar pesquisas que ampliam o conhecimento científico e tecnológico relacionado ao mar e seu uso para navegação.

Quais são as atividades da Poli nesse sentido?
Dentre elas está a elaboração de projetos de embarcações e de pesquisas colaborativas com a indústria naval. A Escola Politécnica tem uma parceria, há mais de 58 anos, com a Marinha do Brasil, para desenvolver navios e submarinos de alto conteúdo tecnológico.

Os estaleiros brasileiros têm muitos engenheiros formados pela Poli?
Não só os brasileiros. Há engenheiros navais da Politécnica atuando em vários países. Nossos profissionais também projetam plataformas de petróleo pelo mundo afora.

Algum outro comentário à entrevista de Amyr?
Também não é fato que são somente os funcionários que escolhem o reitor da Universidade de São Paulo, como ele falou. A escolha é feita por um colégio eleitoral constituído por professores (a grande maioria doutores), alunos e também funcionários. Daí sai uma lista com três nomes, dentre os quais o governador do Estado elege o reitor. Respeito as opiniões do Amyr Klink, mas o desconhecimento demonstrado na entrevista desqualifica suas afirmações. /DANIEL JAPIASSU