‘Se eu tivesse juízo, recomeçaria em SP’, diz Ricardo Amaral

‘Se eu tivesse juízo, recomeçaria em SP’, diz Ricardo Amaral

Sonia Racy

12 Fevereiro 2018 | 00h45

RICARDO AMARAL COM RAQUEL ARAÚJO. FOTO GIANNE CARVALHO/ESTADÃO

Ricardo Amaral está animadíssimo com a nova versão de seu famoso Hippopotamus, aberto há seis meses. O “rei da noite” carioca confessa: “Se eu tivesse juízo teria aberto em SP, mas como sou porra louca, abri no Rio de Janeiro”. O empresário – que tem horror de praia e – quem diria – de feijão, falou com a coluna em sua tradicional… feijoada. Abaixo, trechos da conversa.

Como você está vendo esse “revival” do Hipopotamus junto com a feijoada?

O Hipopotamus tinha sucumbido e nunca imaginei que fosse recriá-lo. Mas quando lancei meu livro, seis anos atrás, revivi na memória das pessoas a história do lugar. Tive um nível de solicitação enorme para fazer de novo.

Por que escolheu o Rio e não São Paulo?

Na verdade, o Hipopotamus nasceu em SP. Se eu tivesse juízo, teria começado na capital paulista. Mas como moro no Rio e sou porra louca, decidi começar aqui. Claro que SP seria muito melhor sob o ponto de vista comercial.

Depois de tantos anos, o que você introduziu de novo no formato da casa?
A novidade, de fato, é o terraço rooftop, onde você pode fumar um charuto, tem charutaria com uma variedade enorme. É desejo de todo notívago, de todo boêmio: poder ter um lugar para fumar. E é muito simpático. Lá embaixo é o mesmo programa. Agora acabei de contratar um dos melhores chefs do mundo, que vem trabalhar comigo aqui. É o Renzo Garibaldi, que é do Peru, nos dois sentidos (risos).

Qual é o restaurante?

O principal restaurante dele é o Osso. E nós vamos fazer um bar para servir tapas peruanas até a meia-noite.

A violência no Rio atrapalha os seus projetos?

Atrapalha tudo. A economia da cidade como um todo. É claro que o segmento em que eu trabalho é afetado pela violência. Mas eu sou um otimista de plantão. Então, fiz para cidade um plano que o prefeito (Marcelo) Crivella aprovou. Chama-se “Rio de Janeiro a janeiro”. O plano nasceu este ano e vamos transformar o Rio na maior arena de eventos do mundo. Tenha certeza disso. Nós, que temos o tripé “Réveillon, Rock in Rio e Carnaval” vamos ter a magia da cidade. Mas eu não acredito em soluções que não sejam conjuntas.

Que tipo de soluções?
O Rio vai ter que oferecer segurança. A atividade financeira da cidade vai nascer junto com esse calendário que elaboramos com muita dedicação. Eu chamei o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), o Roberto Medina, o Paulo Manoel Protasio e o nosso Paulo Marinho. Estamos os cinco pilotando esse calendário, que foi abraçado pelo ministro Sérgio Sá Leitão, da Cultura, pelo ministro Moreira Franco e pela Fundação Getúlio Vargas.

De onde vem o recurso?

O investimento nosso de recursos municipais via Lei de Incentivo é de mais ou menos R$ 450 milhões. Além disso, temos a iniciativa privada – que tem interesse em que o Rio sobreviva –, os bancos e cartões de crédito, cervejarias e shopping centers.


Você gosta de praia?
Tenho horror, não vou à praia há mais de 20 anos. Só vou em Búzios. Mas eu sou uma pessoa meio esquisita. Tenho horror a praia e a feijão e faço há mais de 40 anos a famosa feijoada do Amaral.