Abraço dos afogados

Sonia Racy

28 Julho 2015 | 01h20

Centro das atenções, Eduardo Cunha não chegou a empolgar, ontem, os 502 convidados de João Doria para almoço-evento do Lide em SP. Mas a palestra do presidente da Câmara, no hotel Grand Hyatt, tampouco despertou rejeições maiores.
.
“Quem está morrendo afogado abraça jacaré achando que é tronco” atirou, irônico, um dos empresários presentes – o que resume, de certa forma, o sentimento da iniciativa privada ante o cenário político-econômico do País.
.
Hoje, a falta de confiança retratada nas pesquisas está se transformando em algo mais profundo: falta de esperança.
.
Afogados 2
.
No seu discurso, Cunha disse que Joaquim Levy o procurou antes de diminuir a meta do superávit primário, semana passada, e lhe contou que as empresas estão deixando de pagar impostos.
.
Em outro momento, o deputado afirmou que o projeto de repatriar recursos, de onde o governo quer tirar R$ 11,5 bilhões ainda este ano, não deve ser aprovado. Ele tampouco acredita na arrecadação de R$ 5 bilhões com concessões ou na MP do novo Refis, de onde poderiam sair mais R$ 10 bilhões.
.
Encurtando: nada de receitas extraordinárias no horizonte. E, portanto, vem aí superávit negativo.
.
Afogados 3
.
Na linha propositiva, entrou, pelas mãos de Roberto Giannetti e Paulo Rabello de Castro, ambos do Lide, proposta de um Pacto Brasil.
.
Consistindo em quê? Em uma série de contrapartidas recíprocas entre Congresso e sociedade civil que resultem em benefício coletivo, trazendo o Executivo a reboque.
.
E focado em reformulação do Estado, reforma tributária e até aumento de impostos.