A festa ecumênica de Roberto e Claudia

A festa ecumênica de Roberto e Claudia

Sonia Racy

12 Maio 2015 | 01h20

Foto: Claudia Cozer e Roberto Kalil Filho

Poucos seriam capazes de reunir Dilma, Lula, Alckmin, Serra, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, David Uip, todos sentados em uma mesma mesa para festejar um casamento. Cláudia Cozer (vestida por Junior Santaella) e Roberto Kalil conseguiram o feito, de forma aparentemente harmoniosa, no sábado, em uma bem organizada festa com 700 convidados de todas raças e credos no evento que oficializou a união de dez anos do casal de médicos. Ele, cardiologista; ela, endocrinologista.

Dilma, madrinha, posou para intermináveis selfies, sorrindo – mas o espírita João de Deus, que veio de Abadiânia, Goiás, foi o mais assediado de todos. “Estou impressionado com o medo que as pessoas têm de ficar doente ou morrer”, brincou um paciente empresário, ao constatar o tamanho da adesão à festa. Enquanto isso, lá fora, cerca de 25 pessoas promoviam um barulhento panelaço, com gritos de “Fora Dilma” e “Fora PT”, apesar do acordo feito entre a organização do casamento e movimentos de protesto, que haviam prometido respeitar o evento particular. Pelo que se apurou, mesmo sem a participação de uma organização maior, como o Vem para Rua, alguns integrantes do Acorda Brasil passaram um bom tempo diante do Leopolldo do Itaim.

Outro pequeno entrevero – ou grande, dependendo de quem contava – atrapalhou a chegada dos convidados. O comboio de Dilma simplesmente errou o caminho do aeroporto para o Leopolldo. Perdidos, ligaram sirenes e acabaram entrando no local pela contramão, com isso atraindo o panelaço. Resultado: a rua, por causa disso, foi fechada, o que obrigou Serra, Alckmin e o secretário Alexandre Moraes a esperar 40 minutos dentro dos carros. Serra chegou furioso, Alckmin calmo e Moraes ameaçou ir embora. A truculência da segurança de Dilma foi notada por muita gente, mas foi recolocada no seu lugar pela organizadora do evento Bia Aydar e por sua irmã Fernanda. Aparentemente, faltou treino ao pessoal, especialmente ao motorista, que não conseguia engatar uma simples marcha à ré para desobstruir a única pista para passagem dos veículos.

Noiva a postos, a cerimônia emocionou. Um altar foi montado, cadeiras enfileiradas. No outro salão, mesas redondas, cheias de orquídeas, diferenciavam o ambiente. O buffet foi do próprio Leopolldo, apoiado pela banqueteira Mazzô. Bebidas? Baron de Rothschild e Chateau Lafite Monteil. Depois do jantar, show de Tiago Abravanel empolgou a plateia, num momento em que Dilma já tinha ido embora. A presidente teve que sair às 23 horas por causa do fechamento de Congonhas. O noivo interrompeu a performance do neto de Silvio Santos para uma homenagem à sua mulher. Tocou Imagine, dos Beatles, em um saxofone. Playback? “Nada disso, estou estudando aos domingos e, dos mais de 3 minutos da música, já consigo tocar 42 segundos”, orgulha-se o cardiologista. Que, pelo jeito, está com os pulmões à toda.

Fernando Haddad ficou pouco, foi notado que Lulinha está muito parecido com o pai, Benjamin Steinbruch compareceu, mas o empresário que ficou mais tempo foi Walter Torre. No variado arraial dos políticos, todos conversaram com todos. Sentado ao lado de Dilma, Lula trocou ideias com a presidente para logo depois encarar um tête-à-tête com Renan Calheiros. O ministro José Eduardo Cardozo sentou-se ao lado de Márcio Elias Rosa, procurador-geral do Estado, e conversou muito com Luiz Trabuco, do Bradesco. Antonio Mariz de Oliveira passou a noite explicando as nuances da Lava Jato a quem se aproximava… Percalço da noite: sentado à mesa principal, David Uip viu seus dois celulares… sumirem de cima da mesa. Não haviam sido encontrados até o fim da festança, que acabou às 4 da manhã…