‘O difícil é agradar a todos e contar com o bom senso’, diz Bia Doria sobre performance no MAM

‘O difícil é agradar a todos e contar com o bom senso’, diz Bia Doria sobre performance no MAM

Sonia Racy

03 Outubro 2017 | 08h00

Foto: DENISE ANDRADE/ESTADÃO

Defender a liberdade de expressão na arte e, ao mesmo tempo, respeitar a religião e os princípios das pessoas.  É assim, como um dilema, que Bia Doria vê o polêmico episódio do MAM, em São Paulo — ­ a performance La Bête. Dias depois de o marido, o prefeito João Doria, condenar a exposição Queermuseum, de Porto Alegre, e depois a do MAM, a artista falou à coluna sobre os limites da liberdade de expressão artística.

A senhora é uma artista plástica. Como artista, o que achou da censura à performance?

Eu defendo a liberdade de expressão na arte. Mas ao mesmo tempo, sou contra algo que possa agredir a religião e os princípios.

Mas o museu colocou um aviso antes da performance avisando do que se tratava. Quem entrou lá sabia o que veria.

Sim, não fazer a performance também seria estranho. O que eu vejo, desde que o João entrou na Prefeitura, que a coisa mais difícil é agradar a todos e contar com o bom senso das pessoas.

Isso chegaria a ser incentivo à pedofilia como estão afirmando?

Acho que pode ser sim. Acho que a mãe errou. A criança não vai saber depois o que é certo e errado, vai ficar confusa.

Você já se deparou com questões desse tipo – de ficar num limiar entre a livre expressão e o cuidado com crenças e costumes – na sua arte?

Já. Uma vez eu fiz uma  escultura que era a silhueta de uma mulher nua, como se fosse a mãe natureza. Mas tomei cuidado pra ser algo de bom gosto. Uma coisa é uma estátua, como as de Michelangelo, representando o nu, e outra é um homem de verdade sem roupa. É exagerado. /MARCELA PAES