#LeiaMulheres: dez livros essenciais de autoras clássicas e contemporâneas

#LeiaMulheres: dez livros essenciais de autoras clássicas e contemporâneas

Confira as indicações de leitura das criadoras do projeto Leia Mulheres

Danilo Venticinque

11 Maio 2017 | 11h26

Há pouco mais de dois anos, as brasileiras Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques decidiram criar um clube de leitura em São Paulo para incentivar a leitora de mulheres escritoras. Sua inspiração era o manifesto online #ReadWomen2014, lançado no ano anterior pela autora britânica Joanna Walsh com o objetivo de promover as vozes femininas num mercado editorial dominado por homens.

A ideia das três era transformar o movimento da internet em algo mais prático e presencial. Deu certo. Atualmente, o projeto Leia Mulheres organiza clubes de leituras em mais de 45 cidades, com encontros mensais. A mediação de todos os clubes é feita por mulheres, mas os encontros são abertos a todos.

O Leia Mulheres faz parte de uma série de ações para aumentar a presença da mulher no mercado editorial como autoras, mediadores, editoras que façam parte da cadeia do livro como um todo. Além, é claro, de apresentar o leitor comum a obras escritas por mulheres e convidadá-los a entrar no universo criado pela autora discutida.

Banner do projeto Leia Mulheres


A convite do blog, as criadoras do Leia Mulheres prepararam uma lista de dez livros para quem quiser enriquecer sua estante com mais obras escritas por mulheres:

Quarto de despejo, de Carolina de Jesus

“O livro é um retrato da mulher negra trabalhadora, moradora de região periférica e com filhos para criar sozinha, tudo isso em meio aos olhares curiosos dos vizinhos e da desconfiança de empregadores. A fome é um tema central nesta obra, que foi escrita na década de 1960, mas trata de problemas ainda atuais.”

Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas

“É um livro íntimo sobre ser mulher em um mundo machista e patriarcal. As poesias são aparentemente simples, mas praticamente toda mulher pode se reconhecer naquelas linhas.”

Antonio, de Beatriz Bracher

“Nesta obra temos que construir a história a partir de diferentes narradores: os depoimentos de Raul, Haroldo e Isabel nos ajudam a entender a saga de uma família, que aos poucos vai se despedaçando. A narrativa começa nos anos 1960 e se estende aos dias de hoje, com Isabel no leito de morte, repleta de recordações sobre o filho e marido.”

Outros cantos, de Maria Valéria Rezende

“Baseado em experiências da autora, o livro nos faz caminhar ao lado de uma jovem freira que vai dar aula para agricultores de uma pequena comunidade no sertão nordestino na década de 1970. A personagem deve lidar com dilemas políticos da época e com as carências do povoado de Olho d’Água.”

Nada a dizer, de Elvira Vigna

“Elvira Vigna é uma das maiores representantes da literatura brasileira contemporânea. Seus livros partem de acontecimentos comuns. Em Nada a dizer, Vigna traz um enredo sobre um casal que lida com a traição de um dos cônjuges. Sua prosa é bastante seca, objetiva e impecável.”

Carvão animal, de Ana Paula Maia

“A literatura de Ana Paula Maia não passa despercebida. Provocativa em sua linguagem, ela nos leva aos infernos particulares dos personagens através de seus diálogos fragmentados. Os personagens deste romance são homens comuns, trabalhadores à margem da sociedade. A autora nos coloca diversas indagações sobre moral e ética, nos mostrando o extremo do anti-herói. Será impossível desviar o olhar.”

Redoma de vidro, de Sylvia Plath

“Neste romance autobiográfico, Sylvia Plath nos apresenta Esther Greenwood, uma jovem que levava uma vida aparentemente perfeita em Nova Iorque, até começar a apresentar sinais de depressão. O tema abordado neste livro é pesado, mas a prosa poética de Plath nos liga à personagem.”

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

“Chimamanda tornou-se uma importante voz do feminismo atual. Neste livro, ela aborda o tema sob o viés da identidade racial e da imigração, temas extremamente cotidianos, principalmente inserido na cultura norte-americana, onde o livro se passa.”

Jane Eyre, de Charlotte Brontë

“Publicado em 1847, esse romance tem pontos atuais ainda hoje. Jane é uma personagem forte, que luta para ter liberdade de escolha e autonomia de sua vida, num contexto em que a mulher nascia apenas para ser a esposa ou a serva. Um clássico necessário.”

O conto da aia, de Margareth Atwood

“Livro distópico que cada vez se parece mais com a nossa realidade. Somos apresentados a um mundo extremista religioso, em que mulheres perderam todas suas liberdades individuais. Aos poucos vamos entendendo como a situação chegou àquele ponto e fica difícil não encontrar ecos com nossa sociedade.”