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Cultura » Pizzarias que gostam de levar vantagem em tudo, certo?

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24 Novembro 2011 | 23h02

O preço da pizza em São Paulo subiu 65% nos últimos cinco anos – mais que o dobro da inflação no mesmo período. Apesar disso, alguns donos de pizzarias insistem numa estratégia mesquinha: cobrar uma pizza meio a meio pelo valor da mais cara. É a “Lei de Gérson” – gosto de levar vantagem em tudo, certo? – coberta de molho de tomate e mussarela. A Tal da Pizza, que vende as redondas mais caras da cidade, cobra 59 reais por uma pizza de mussarela. Se o cliente quiser uma metade mussarela e outra metade calabresa terá que desembolsar 78 reais – preço integral da calabresa. “É para não encorajar o cliente a pedir uma pizza com uma cobertura mais em conta apenas para pagar menos no final”, afirma, sem pudor, a proprietária Cibele de Freitas.

A repórter Miriam Castro, do Blog do Curiocidade, ouviu outras explicações esdrúxulas para justificar a absurda cobrança. “Ao fazer metade de uma pizza você não usa necessariamente metade dos ingredientes”, diz Débora Ribeiro, assessora de imprensa da Speranza. “As pizzas são feitas artesanalmente, o que significa que o pizzaiolo não consegue calcular precisamente a metade dos itens que vai colocar sobre a massa”. A assessora também ressalta que fazer pizzas com duas coberturas dá mais trabalho para o pizzaiolo. “Se uma família com pessoas vegetarianas pedir uma pizza meia calabresa, meia mussarela, cabe ao pizzaiolo tomar cuidado para não misturar os dois sabores”. Entendeu?!?  Bem, Mário Sérgio Zuca, gerente da unidade da Babbo Giovanni em Perdizes, acha essa explicação uma grande bobagem. “Isso é desculpa esfarrapada”, diz Zuca. “Se  é metade mussarela, o pizzaiolo vai usar exatamente metade da quantidade de ingrediente que iria em uma inteira”.

Outro estabelecimento que adotou a tática de levar vantagem em cima do cliente é a Maremonti, cuja filial paulistana foi inaugurada no último dia 12 de outubro. Uma pizza de mussarela sai por 45 reais, mas a versão que é metade calabresa custa 58 reais. O gerente Fábio de Silveira diz que a prática é adotada desde que o restaurante foi aberto em 2000 na Riviera de São Lourenço. “Toda pizzaria faz e sempre fez isso”, afirma. “É uma regra que existe no mercado. Nós não inventamos, apenas seguimos”, afirma. Mais uma explicação que não funciona. O Blog do Curiocidade fez um levantamento em outras 14 pizzarias tradicionais da cidade. O placar foi de 10 x 5 para os honestos (veja a relação abaixo).

Na Monte Verde Itaim, o gerente Sílvio Alexandre Soares concorda que o cliente deve pagar exatamente por aquilo que consome. “Muitos pais chegam aqui acompanhados de filhos pequenos, que só comem pizza de mussarela”, explica ele. “Se os pais quiserem algo mais requintado, não podem ser penalizados”. Outro que engrossa o coro é o empresário Antonio Carlos de Toledo. “Quando abri a Margherita, em 1981, escolhi cobrar pela média porque achei que era o mais justo”, afirma. “Não há nada que justifique cobrar pela mais cara”. Não tem mesmo!

Pizzarias que cobram pela média: Urca, Veridiana, Bráz, Margheritta, Babbo Giovanni, Camelo, 1900, Santa Pizza, Ráscal e Monte Verde Itaim.

Pizzarias que cobram pelo sabor mais caro: Castelões, Speranza, Sala VIP, A Tal da Pizza e Maremonti.

Participe do boicote às pizzarias que gostam de levar vantagem em tudo. Chega de ser roubado! Se você conhece outras pizzarias que não respeitam o consumidor , deixe o seu comentário aqui no blog.

Atualização em 29/11/11: A Pizzaria Real (Alfonso Bovero, no Sumaré), também cobra pelo valor mais alto e está na lista do boicote.

Atualização em 06/12/11: A pizzaria Ráscal passou para a  lista das pizzarias que cobram pelo preço justo. A assessoria da casa informa que essa política foi adotada há um ano e meio –  e enviou um cupom fiscal para provar isso. A informação que o valor cobrado é pela metade mais cara ainda consta dos cardápios (“cobramos pela mais cara”)  e  foi confirmada nas três vezes em que a reportagem entrou em contato telefônico com a unidade do Itaim-Bibi. Sobre o cardápio, o Ráscal esclarece que adesivos já estão sendo providenciados para cobrir a informação que saiu errada por causa de “um erro de revisão”. Sobre a informação incorreta dada por três  funcionários diferentes, a pizzaria explica que “houve falha de comunicação”.  A conta agora é de 10 x 5 para as pizzarias que cobram o preço mais honesto.

(com colaboração de Míriam Castro)

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