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Cultura » O casal que faz os sorvetes mais famosos do Ipiranga

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26 Abril 2012 | 22h49

Dalmira Soares Donizi gosta da cor sépia. Para ela, as fotos envelhecidas deixam tudo mais bonito. Ela conta que pretende instalar painéis com fotos – todas em sépia – da Itália pelas paredes da Damp, sorveteria do bairro do Ipiranga que completa quarenta anos em 2012.

A Damp tem origem na Itália: de lá vieram três de seus quatro fundadores. Dalton, Arnaldo, Masaniello e Pietro batizaram o negócio em 1972, usando as iniciais de cada um. Dalton, irmão de Dalmira, era o único brasileiro. Pietro era engenheiro, mas já tinha trabalhado com a elaboração de sorvetes na Itália. Ele convidou Arnaldo e Masaniello – que já era marido de Dalmira havia dois anos – para criar um restaurante de comida italiana.

“Queríamos fazer massas, mas nada dava muito certo”, conta Dalmira. “O Pietro, que era o mais entusiasmado de todos, conhecia técnicas para fazer sorvetes”. A Damp começou tímida, apenas com sabores comuns, como chocolate e flocos. Nem lembrava a quantidade de opções disponíveis na sorveteria hoje em dia: são 93 tipos de sorvetes, além de cassatas, picolés e bolos gelados.

É difícil imaginar um sabor de sorvete que não seja vendido pela Damp. Na verdade, o casal se apressa em criar antes que outro o faça. “Começamos a fabricar sorvete de paçoca há muitos anos”, garante Dalmira. “Agora, todo mundo tem sorvete de paçoca, mas foi aqui que o sabor se popularizou”. Entre as criações da marca, estão combinações inusitadas, como manjericão com amora, creme com pimenta dedo-de-moça e queijo gorgonzola com nozes. Há também sorvete de violeta e rosa.

Durante o outono e o inverno, a sorveteria se volta para a criação de novidades que são lançadas no verão. A maior preocupação é com a qualidade: “Nosso engenheiro de alimentos demora meses para desenvolver um novo sabor”, diz Dalmira. “Usamos apenas ingredientes de primeira qualidade”. O sorvete de capim-santo, por exemplo, só fica disponível quando a empresa consegue um fornecedor de uma área que onde não aconteçam queimadas. De acordo com a sócia, isto prejudica o sabor da especiaria.

Desde a inauguração, a fábrica da Damp fica na Rua do Manifesto, no Ipiranga. Quarenta anos após a fundação, apenas Masaniello e Dalmira continuam no negócio. Dalton faleceu, enquanto os dois italianos voltaram a seu país de origem. O tímido Masaniello abandonou seu trabalho como desenhista em um escritório de arquitetura para se dedicar exclusivamente à fábrica. Dalmira também largou as aulas de Literatura para trabalhar na Damp.

O casal é reservado. Masaniello não dá entrevistas. Dalmira também se recusa a contar detalhes da vida, como a idade dos dois ou a rotina fora da sorveteria. A foto que ilustra essa reportagem foi uma exceção que os dois abriram para o Blog do Curiocidade. Para Masaniello, a imagem de proprietários idosos pode dar a ideia de uma empresa decadente. “O que é o contrário do que temos aqui”, afirma o italiano.

Masaniello e Dalmira sempre foram resistentes a expandir o empreendimento. A pequena loja do Ipiranga, próxima à fábrica, só existe há 15 anos. “Não queríamos sair do Ipiranga”, afirma Dalmira. “Aqui, podemos reabastecer os estoques, já que estamos ao lado da fábrica”. Apesar de distribuir sorvete da marca a outros sorveterias, não havia a perspectiva de nenhuma outra loja Damp. No entanto, a segunda unidade foi inaugurada no final do ano passado, na Vila Leopoldina. “Queremos manter tudo em família”, diz Dalmira. O administrador da nova loja é Eduardo Stollagli, primo de Masaniello.

Serviço:
Damp Sorvetes
R. General Lecor, 512, Ipiranga, 2274-0746
R. Bela Nápoles, 26, Vila Leopoldina, 3644-5541

(Com colaboração de Míriam Castro)

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