Mulheres ao volante e o "guarda-costas" Wilson ao lado

Estadão

07 Outubro 2011 | 16h14

Mulheres ao volante sozinhas, paradas no semáforo ou em um congestionamento, são os alvos preferidos dos assaltantes. Segundo o capitão Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, “as estatísticas demonstram que o criminoso procura vítimas que ofereçam menor resistência”. Um passageiro no banco ao lado da motorista pode inibir a ação dos bandidos. Para quem não pode contar sempre com um companheiro no banco do carona, o paulistano Juca Amaral criou “Wilson”, um boneco inflável sem pernas. Ele fica dentro de uma pasta. É só abrir, conectar o boneco ao acendedor de cigarro e ele se enche de ar. “Quando estava pensando no nome, um amigo me falou daquele filme em que o Tom Hanks fala com a bola Wilson”, diz Juca, em referência ao filme Náufrago, de 2001.

Algumas mulheres já adotaram a companhia do boneco Wilson. É o caso da jornalista Joyce Moyses, autora do livro Mulheres de Sucesso Querem Poder… Amar, que já foi vítima de um sequestro-relâmpago há cinco anos. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, ela contou como é sua relação com Wilson:

Por que você resolveu andar com um boneco inflável no carro?
Eu sempre fui medrosa. Procuro me proteger, evito andar em lugares escuros. Se o trânsito começa a parar, num lugar com pouca iluminação, eu já começo a olhar para o lados. Até que um dia, saindo do trabalho e indo para casa, sofri um sequestro relâmpago. Três caras entraram no meu carro, um deles estava armado…


Como foi?
Um deles me mandou sentar no banco do passageiro, e outros dois ficaram atrás. Um deles já estava abrindo a minha bolsa, quando o da frente perguntou qual era a minha profissão. Como o outro estava com a minha bolsa e podia ver meu cartão, achei melhor não mentir e falei: “Sou jornalista”. Ele me olhou assustado: “Não é da televisão não, né?!”. Ai eu pensei que tinha que falar alguma coisa que não oferecesse nenhum risco pra eles e respondi: “Não, eu faço o horóscopo das revistas”. Aí o de trás perguntou as características do signo de Leão. Depois Libra, Capricórnio… E foi essa conversa de signo até pararmos em um caixa eletrônico. Eles tiraram todo o dinheiro que podiam e falaram: “Você é legal, não vamos levar seu carro nem seu celular”. Pouco tempo depois, vi uma reportagem sobre o boneco inflável, adorei e fui atrás.

Algum dos seus amigos chama o boneco de “Ricardão”?
Chama. Mas eu falo que ele não oferece perigo para o meu marido, porque ele só existe da cintura pra cima. Meu marido não reclama. Ele é um cara esclarecido e sabe que é uma boa ideia aumentar a segurança das mulheres. O principal alvo é a mulher sozinha.

Antes do Wilson, você teve alguma outra estratégia?
Já cheguei a prender o cabelo e colocar um boné. Jornalista sai muito tarde da redação…

O Wilson vai para casa com você no banco da frente todos os dias?
Não, só quando eu saio mais tarde ou quando estou mais medrosa. A pastinha com o Wilson fica no porta-malas.

Você não tem medo de alguém perceber que é um boneco?
Eu já fiz o teste antes de usar. Meu marido ficou na porta do prédio e eu passei com o carro pra ele ver se enganava. E engana. De noite, com o carro em movimento, é melhor que nada.

E se algum assaltante descobrir?
Bem… Talvez ele ache tão engraçado que resolva ser bonzinho comigo.

O Wilson é um sujeito bem estranho. Você mudaria alguma coisa na aparência dele? Talvez tirar o bigode ou mudar essa cor do cabelo…
Podia aperfeiçoar, sim. Mas o ideal mesmo é que ele dissesse algumas frases, como “Você é linda” e “Você será jovem pra sempre”.

Em tempo: o capitão Massera, porta-voz da PM, faz algumas ressalvas quanto ao uso do boneco: “À distância, talvez funcione. Mas, geralmente, quando se sente enganado, o bandido se torna mais violento”, afirma. “Não recomendamos o uso dos bonecos”.

Serviço:
Boneco Wilson, R$ 350
Encomenda somente pelo telefone (11) 4063-5794 e pela internet: http://www.bonecowilson.com.br/
Entrega: de 7 a 10 dias.

(Com colaboração de Karina Trevizan)