Disque Hélio Forte para consertar seu telefone antigo

Estadão

25 Maio 2011 | 21h26

Por que ainda dizemos que vamos discar um determinado número de telefone se os telefones que usamos hoje em dia não têm mais discos? Se quiser matar a saudade dos velhos aparelhos, faça uma visita à oficina de restauração de telefones ETL. A oficina de Hélio Forte, 66 anos,  tem à venda telefones do século 19, e também modelos de várias décadas do século 20. “Tenho alguns antigos funcionando mil vezes melhor do que esses telefones modernos”, garante. “É preferível ter um desses, que não dá trabalho e ainda  enfeita a sua casa”. O restaurador lembra que a única desvantagem dos aparelhos antigos é que eles não permitem fazer operações bancárias por telefone, já que “não têm asterisco nem sustenido”.

Hélio abriu a oficina há 38 anos. Começou consertando aparelhos de televisão, até que aprendeu a arrumar telefones. “No começo eu fazia telefones eletrônicos, mas me adaptei melhor com os mecânicos, mais antigos. Eu gosto de trabalhos manuais”, conta ele, que também já foi colecionador. Chegou a ter 70 telefones antigos guardados, mas resolveu  vender a coleção em 2002. “O dinheiro falou mais alto… Só um deles foi vendido por R$ 25 mil”, conta ele, sem revelar o valor total ganhou com a venda de seus aparelhos. A maior parte da coleção foi arrematada pelo empresário Eliseu Delamuta, dono da Della Via Pneus. Delamuta é colecionador de antiguidades que vão de telefones a carrinhos em miniaturas. “Ele só quis os mais raros”, diz Hélio.

A oficina de Hélio é um lugar pequeno, com fachada  discreta. A placa de identificação fica do lado de dentro, e é difícil até enxergar… o número de telefone. Ali, Helio vende, compra, conserta, restaura e fabrica telefones. Sim, fabrica! E o cliente pode desenhar o modelo.  “No Brasil, só eu faço isso”, jacta-se. “E faço com perfeição”. Ele conta que os pedidos de restauração mais frequentes são de aparelhos com valor sentimental, herdados de algum parente.

O preço da restauração na oficina de Hélio costuma variar entre R$ 50 e R$ 300. “É preciso fazer uma avaliação do telefone antes de fechar o preço”, avisa. Os consertos mais caros são dos aparelhos da Telearte, que fabricava telefones na década de 1960. “São telefones artísticos, feitos de metal”, descreve Hélio. Para polir esses aparelhos, o restaurador precisa desmontá-los inteiros e colocar as peças em uma máquina de 3 mil rotações por minuto. “Por isso precisa desmontar. Se um fio enrosca ali, quebra tudo e ainda me machuca”.

ETL Eletrônica e Telecomunicações
R. Dona Antonia de Queirós, 91; Bela Vista; 3259-3126 e 99697-0797. Segunda a sexta, das 10h às 20h.

(Com colaboração e fotos de Karina Trevizan)