Consultora de estilo avalia roupas de candidatos à Prefeitura

Estadão

22 Abril 2012 | 19h22

Em 26 de setembro de 1960, aconteceu o primeiro debate político televisionado dos Estados Unidos. O candidato republicano Richard Nixon, voltando de  uma recente hospitalização, estava magro e pálido. Vestiu um terno que tinha a mesma cor do fundo do estúdio e se recusou a passar maquiagem. Seu rival, John Kennedy, foi vestido elegantemente e aproveitou ao máximo as câmeras. Há quem diga que o resultado da eleição presidencial americana foi definido nesse debate.

Isso jamais aconteceria nos dias de hoje. Os candidatos estão cercados de assessores para zelar pelas roupas que vestem.  “Personal stylists”  fazem parte de todas as equipes na campanha eleitoral. Na semana passada, a Editora Senac lançou o livro Guia de estilo para candidatos ao poder – e para quem já chegou lá. O projeto é uma parceria entre o os jornalistas Sergio Kobayashi e Luci Molina, e a consultora de estilo Milla Mathias.

Quem teve a ideia foi Milla. “Já estudava a comunicação política por meio da roupa, mas percebi que não havia nenhum livro sobre isso no Brasil”, afirma. Para escrever o livro, ela procurou Kobayashi, que assessora campanhas eleitorais desde 1982. Kobayashi tabalhou para vários candidatos do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Ele também participou da campanha de Gilberto Kassab à Prefeitura. em 2008. Kobayashi  indicou a jornalista Luci Molina, que fez a pesquisa histórica para o volume. Luci  já tinha escrito o livro Lila Covas – histórias e receitas de uma vida, sobre a ex-primeira-dama Lila Covas, além de ter sido assessora de comunicação do governo Mário Covas.

Para Kobayashi,  estilo não escolhe ideologia. “Todo candidato é vaidoso, não importa de que partido seja”, afirma. “Na hora de concorrer, todos vão usar recursos que melhorem sua imagem para o eleitorado”. A assessoria de estilo ganha maior importância quando o político está gravando o horário eleitoral gratuito, mas a recomendação é que o candidato siga as dicas o tempo todo.

O pior erro que pode ser cometido por um político, de acordo com Milla Mathias, é tentar parecer o que não é. “É muito estranho ver o Tiririca de terno”, diz. Depois de eleito, o deputado precisa  seguir o dress code da Câmara. Porém, para Milla, poderia adaptar o look. “Como ele é uma pessoa que deveria passar leveza, poderia tentar transmitir isto para o visual”.

A pedido do Blog do Curiocidade, Milla Mathias comentou o visual dos principais pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2012:

José Serra (PSDB)

“A imagem dele já está desgastada pela longa carreira política. O candidato poderia usar cores mais vivas, que o deixariam com um aspecto mais contente”.

Fernando Haddad (PT)

“Por ser jovem, Haddad deveria descontrair um pouco mais o visual, diminuindo os tons escuros. Um blazer mais claro daria mais leveza”.

Gabriel Chalita (PMDB)

“Este candidato usa muito azul-marinho. Apesar de a cor ser mais leve do que o preto, ainda é muito sóbria. Cinza médio ou cinza claro seriam mais adequados”.

Netinho de Paula (PCdoB)

“Netinho já se identifica com o público por ser cantor e apresentador de TV. Para ele, o ideal é usar blazer, camisa e calça social. Um costume com gravata ficaria artificial demais”.

Soninha Francine (PPS)

“Desde a época de apresentadora de televisão, Soninha mudou muito o visual. Mesmo assim, a roupa dela ainda não passa a impressão de uma política séria. Em política, é possível descontrair a vestimenta, mas não muito”.

Celso Russomanno (PRB)

“O candidato é elegante e fica natural com costumes. Por isto, raramente usa outra coisa”.

Paulinho da Força (PDT)

“Ele deveria usar camisas e costumes com colarinhos e lapelas mais estreitos. As peças que ele usa costumam deixá-lo sem pescoço. Por ser sindicalista, Paulinho poderia usar cores mais claras nos costumes e investir na combinação de calça, camisa e blazer”.

(Com colaboração de Míriam Castro)