Avenida Paulista poderá abrigar o Museu da Turma da Mônica

Estadão

04 Maio 2012 | 17h41

Depois de anos sendo alugado para festas ou cedido para a realização de feiras de adoção de animais, o casarão da família Franco de Mello, construção mais antiga ainda de pé na Avenida Paulista, poderá ganhar um destino digno de sua importância histórica. Está em negociação a possibilidade de ser feito ali o Museu da Turma da Mônica no espaço. Por enquanto, o projeto não passa de uma intenção. O orçamento – estimado em cerca de 100 milhões de reais – ainda não atraiu patrocinadores.

Segundo Jacqueline Mouradian, curadora da Maurício de Sousa Produções, esse é o entrave que paralisa o projeto. “O museu ficou caro porque, como a casa está deteriorada, precisaríamos realizar uma boa reforma”, justifica. Além disso, o espaço interno de 35 cômodos e pé direito baixo não é grande o suficiente para comportar todo o acervo, que, além de outros itens, inclui originais de desenhos de Maurício de Sousa, 15 esculturas e quase 100 pinturas do artista. Para resolver a situação, o projeto prevê a construção de um aterro anexo à casa, já que sua estrutura, por ser tombada, não pode sofrer modificações.

Casarão da família Franco de Mello

As construções residenciais na Avenida Paulista iniciaram-se em 1891, para abrigar famílias da alta sociedade que já não queriam morar no superlotado centro de São Paulo. O casarão Franco de Mello, de 1905, pertence ao primeiro lote dessas casas. Tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 1992, a mansão está cedida em comodato a um dos herdeiros, Renato Franco de Mello.


Manter conservado um imóvel tombado é caro, e já houve tentativas, por parte dos Francos de Mello, de conseguir uma indenização que os ajudasse a arcar com as despesas. O abrigo do museu seria, portanto, vantajoso para a família herdeira. No projeto estão incluídos o pagamento de contas pendentes e as reformas da construção. Jacqueline Mouradian garante que Renato Franco de Mello se posiciona em favor da ideia. “Ele parece estar empenhado em dar um destino digno à casa”, revela. A Maurício de Sousa Produções não está fechada para negócios com outros espaços, mas confessa ter preferência pelo casarão da Paulista: “O acesso ao público não se compara com o de outras regiões”, destaca Jacqueline. Houve inclusive propostas vindas de Mogi das Cruzes (SP), cidade onde Maurício de Sousa passou a infância, mas o foco está na capital. “Está na hora de a população ganhar esse presente”, diz a curadora.

(Com colaboração de Júlia Bezerra e fotos de Thiago Queiroz)