A tradição dos cartões de Natal continua viva

Estadão

24 Dezembro 2011 | 07h22

O designer Luiz Romano, de 60 anos, não se rendeu aos cartões de Natal digitais. Ele mantém viva uma tradição iniciada em 1977. Todo ano, ele desenha um cartão especial em “3D”, com recortes e relevos, e manda para seus amigos e parentes. Ele envia cerca de 400 cartões pelo Correio. “Eu crio o desenho, preparo no computador, monto a arte final e encaminho para a gráfica”, enumera. Depois da impressão, Luiz precisa cuidar da montagem para o efeito 3D. “Na gráfica, eles recortam. Mas eu que destaco, dobro e viro.”

Primeiro cartão desenhado por Luiz, em 1997 (Foto: arquivo pessoal)


Depois que os cartões ficam prontos, Luiz ainda rubrica todos eles e cria mensagens diferentes. Para os amigos corintianos, por exemplo, o designer, que é palmeirense, escreveu este ano: “Parabéns, campeão”. Luiz gasta dois ou três dias escrevendo as mensagens. “Às vezes faço à noite, ou até de madrugada.”

Tradição enviada para 400 pessoas todo ano (Fotos: arquivo pessoal)

Ele manda a maior parte dos cartões pelo correio, com direito ao selo natalino do ano. Para ele, a história de que cartões de Natal estão fora de moda é pura conversa. “Muita gente fala que não recebe mais cartões, só o meu”, diz. “Às vezes até me ligam pra cobrar. Tenho prazer em fazer isso. Fico muito feliz quando as pessoas ligam para me contar que colocaram o cartão na árvore de Natal.”

Luiz também é colecionador de presépios desde 1991. Sua coleção conta com cerca de 160 conjuntos, dos mais variados materiais e origens. “Tenho um montado com pregos, engrenagens e arruelas”, conta.

Luiz mostra parte de sua coleção de presépios (Foto: Andre Lessa/AE)

Quem inventou o cartão de Natal?
O cartão de Natal foi inventado em 1843 por Sir Henry Cole, que foi diretor do British Museum of London. Percebendo que não teria tempo de escrever mensagens de Natal à mão para todos os seus conhecidos, pediu ajuda ao artista plástico John Callicot Horsley. Ele dividiu um cartão em três partes e, no centro, desenhou uma família reunida e crianças pobres ganhando roupas e comida. Foram impressas 100 cópias em litografia, e, então, o artista coloriu uma a uma à mão. Cole enviou uma parte pelo correio e vendeu os cartões que sobraram.

(Com colaboração de Karina Trevizan)