A receita do quindim da Bendito Quindim

Estadão

07 Novembro 2011 | 17h54

Depois de cupcakes, brigadeiros e éclairs, chegou a vez dos quindins. A dona de casa Cátia Farias, 46 anos, resolveu abrir no Tatuapé a primeira loja especializada em quindins da cidade: a Bendito Quindim. Além do doce tradicional de coco com ovo, ela prepara outras quatorze opções de sabores, como maracujá, café, pistache, morango e chocolate. O cardápio tem também quindins de amareto, nozes e abacaxi. Os doces são feitos em um tamanho pequeno – cada um tem 4 centímetros de diâmetro. “Não gosto do doce muito grande porque fica difícil  experimentar mais sabores”, diz Cátia. O preço do quindim varia entre R$ 3,20 e R$ 3,50.

(Foto: Leonardo Soares/AE)

Cátia sempre foi dona de casa, e gostava de preparar quitutes para as festas de aniversário dos filhos, Lucas e Cauê, hoje com 20 e 23 anos. Em 2008, depois de 30 anos trabalhando na mesma empresa, o metalúrgico Ricardo, marido de Cátia, perdeu o emprego. Tentou abrir sua própria empresa, mas o negócio não deu certo e fechou as portas um ano depois. “Ele quebrou e nós perdemos tudo”, lembra Cátia. “Vendemos até nosso apartamento. Todo o dinheiro foi embora.  Como eu cozinho desde os 7 anos, resolvi fazer aquilo que eu sei fazer”.

A família alugou um espaço de 17 metros quadrados onde hoje funciona a loja. A ideia inicial era montar um negócio de esfihas e quiches. Foi Cauê quem convenceu a mãe a investir nos quindins. Cátia achou arriscado, pois já vendia esfihas para restaurantes do bairro e não queria fazer uma troca tão radical. No final, acabou topando.  A loja demorou nove meses para ficar pronta.

Cátia afirma que a receita básica dos quindins não é diferente da conhecida mistura de gema, açúcar, manteiga e coco. Os primeiros sabores criados para a loja foram abacaxi e maracujá. A produção é artesanal. Cátia faz os quindins na cozinha de casa, e quem cuida da loja são Ricardo, Lucas e Cauê. Para alguns dos sabores de quindim, usa uma pasta de base para sorvete da marca italiana Fabbri. Ela calcula trabalhar entre 12 e 15 horas por dia preparando quindins, e estima que a produção diária seja de 1.500 unidades. Se não usasse gema pasteurizada, ela calcula que teria que abrir  de 350 a 400 ovos por semana.

(Foto: Ivan Dias)

O Blog do Curiocidade visitou a cozinha da Bendito Quindim para conhecer a produção de Cátia. Ela ensinou a receita de quindim tradicional, com rendimento de 125 quindins de 4 centímetros – ideal para a próxima festinha de aniversário:

1. Derreter  120g de manteiga em banho-maria.

2. Misturar 1 kg de açúcar e 650 gramas de coco ralado fresco com as mãos. Continuar até a massa ficar homogênea. Cátia avisa que o movimento é repetitivo e deixa os braços e mãos doloridos no fim do dia. “Estou mesmo querendo uma máquina que faça isso”, diz.

3. Adicionar a manteiga derretida.

4. Deixar a mistura descansar por 12 horas na geladeira, coberta com um plástico. Com o resfriamento, a manteiga endurece novamente. É preciso soltar a massa outra vez com as mãos.

5. Adicionar 36 gemas de ovos ou 640 g de gema pasteurizada. Misturar (sim, agora pode usar uma colher ou espátula) até formar uma massa homogênea. Cátia usa a gema pasteurizada, mas dá uma dica para quem for usar ovos: colocar todas as gemas juntas em uma peneira, furar todas e deixar escorrer, sem mexer nem passar a colher na peneira. “Tira todos os resíduos e não fica cheiro de ovo”, ensina. Bater os ovos, nem pensar! “Assim você mistura toda a pele.”

6. Agora vem o truque: Cátia adiciona uma colher de chá de essência de baunilha à mistura. “É só um toque pessoal, não precisa colocar se não quiser.”

7. Untar 125 forminhas de 4 centímetros com glucose, espalhando-a com os dedos. É possível substituir o ingrediente passando manteiga e polvilhando a forma com açúcar.

8. Preencher as forminhas com a massa e colocar todas em uma assadeira maior e adicionar água, para que o doce seja assado no forno em banho-maria. Leva de 40 a 50 minutos.

9. Desenformar os quindins e colocar nas forminhas de papel. Cátia avisa que não há modelos de 4 centímetros à venda. Por isso, seu filho, Cauê, amassa as forminhas de tamanho tradicional com os dedos para ficarem com o diâmetro maior. Veja como fica:

Pensa que acabou? Agora vem a parte mais chata: 125 forminhas para lavar, além das travessas e a assadeira. Lucas geralmente fica com a tarefa, e reclama: “Eu deveria ter o maior salário.”

Serviço:
R. Demétrio Ribeiro, 605, Tatuapé, 3805-8430

(Com colaboração de Karina Trevizan)