A Enciclopédia Barsa vai muito bem, obrigado!

Estadão

16 Março 2012 | 12h08

A Enciclopédia Britânica anunciou na última quarta-feira o fim de sua versão impressa. Depois de 244 anos no mercado, a empresa – que desde 1901 está nas mãos de americanos, e não mais de ingleses – decidiu abraçar as tendências do século XXI e se dedicar à sua versão online, que promete ser uma boa concorrente da Wikipédia. Enquanto isso, no Brasil, nesse mesmo dia, a Enciclopédia Barsa lançou no mercado sua edição impressa de 2012.

Britânica e Barsa têm o mesmo DNA. Em 1964, quase dois séculos depois de seu surgimento, a Enciclopédia Britânica ganhou uma edição em português. Dorita Barret, filha de um dos proprietários da empresa, veio morar no Brasil na década de 1950. Iniciou sua carreira vendendo originais da Britânica – na época, o Brasil era o quinto país que mais consumia essas enciclopédias. Decidida a fazer um produto em português, Barret não sossegou até conseguir autorização para que a obra fosse genuinamente brasileira. Não aceitava a ideia de simplesmente traduzi-la, já que o espaço destinado ao Brasil teria apenas seis páginas, enquanto aos Estados Unidos estavam reservadas seiscentas. Depois de anos de negociação, o resultado foi o lançamento da Enciclopédia Barsa, que preserva, desde sua primeira edição, um conteúdo independente da Britânica. No corpo editorial, estavam Jorge Amado, Antônio Calado e Oscar Niemeyer, entre outros intelectuais brasileiros.

Desde 2005, a Barsa é propriedade do grupo espanhol Barsa Planeta, que tem um escritório brasileiro sediado no bairro da Água Branca, em São Paulo. Sandra Cabral, diretora de marketing da empresa, garante que os brasileiros ainda vão poder folhear a enciclopédia por um bom tempo: “Há 48 anos, a Barsa é todo ano reeditada e as vendas não caem”.  Nos últimos três anos, segundo informações prestadas pela própria Sandra, a venda média anual foi de 70 mil unidades. De todo o modo, a empresa não deixa de investir na versão online e nos CD-ROMs, que são complementos dos livros de papel. “Nós acreditamos na pesquisa reflexiva, feita dentro de bibliotecas”, diz ela. “Mas também sabemos da importância do conteúdo online”.


Sandra afirma que até a má fama dos vendedores de enciclopédias – durante um tempo, o termo era usado pejorativamente como “pessoa chata, insistente” – não existe mais. “Esse estigma foi criado por causa dos vendedores de antigamente, mas hoje em dia isso é diferente. A nossa equipe é treinada para expor o conteúdo do produto. Eles chegam às casas com notebooks e simulam pesquisas usando o CD-ROM aliado à versão impressa”.

Para os interessados, um aviso: é preciso reservar um bom espaço na prateleira.  As 10 mil páginas, distribuídas nos 18 volumes da edição de 2012, ocupam meio metro de estante. A Enciclopédia Barsa completa sai por cerca de R$ 3.000,00 (o preço varia conforme o modelo de capa escolhido).

(Com colaboração de Júlia Bezerra)