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Reality show de doação era pegadinha

Cristina Padiglione

03 Junho 2007 | 01h46

Sim, agora as mesmas agências que alardearam a estréia de um reality show holandês no qual uma paciente terminal de câncer no cérebro escolheria entre três candidatos um receptor para o seu rim, essas mesmas difusoras da polêmica recontam que tudo não passou de uma pegadinha.

A BNN, emissora que estrearia na última sexta o tal reality, levou ao ar, na hora agá, o “De Grote Donorshow”: tudo não passava de uma chamada falsa para convocar a atenção dos europeus sobre a questão da doação de órgãos.

A audiência compareceu com 1,2 milhão de pessoas. Foi o o segundo programa mais visto da noite (é que telejornal, lá, ainda dá mais audiência, veja só que insulto…).

Ainda que a coisa toda tenha gerado mais repulsa do que aplausos ao canal, consta que 12 mil pessoas se tornaram doadoras e outras seis se ofereceram para doar um rim em vida, só durante a exibição do programa.

A suposta doadora da encenação era uma atriz, mas os três candidatos do falso reality são candidatos a receber um rim na vida real e todos tinham concordado em encenar a farsa.

A bandeira levantada pelo canal BNN encontra sua melhor defesa dentro da própria empresa. Seu fundador, Bart de Graaff, que morreu em 2002, aos 35 anos, era doente renal.

E aqui convém parênteses: alguém que consegue difundir pelo mundo, nesses dias de informação online, acessível por todos os poros, uma notícia falsa por vários dias… Francamente, é gênio (não sei se do mal ou do bem, mas gênio, sim, ora pois). Ou será que somos nós, habituados a receber como notícia qualquer espécie de barbárie, que já damos por certo o foco mais improvável de uma história da carochinha?