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Globo mostra “Duas Caras” em alta definição

Cristina Padiglione

02 Outubro 2007 | 00h37

A Globo promoveu há pouco a estréia de “Duas Caras”, sua primeira novela produzida em alta definição, em sala de cinema, para platéia fechada.

A novela será o primeiro produto da emissora que o telespectador poderá ver, desde que disponha de aparelho compatível ou conversor digital, quando a TV de alta definição chegar à casa dos paulistanos, em 2 de dezembro. Como agora não é possível perceber diferença alguma porque a recepção da imagem em casa ainda é analógica, fez-se lá o burburinho com pipoca no escurinho do cinema.

Esse negócio de HD vai dar trabalho a maquiadores e cenógrafos. Como já foi dito um zilhão de vezes, os mínimos detalhes saltam na tela. E não há pó ou pancake que resista: viu-se cada gotinha de suor no pescoço de Oscar Magrini (calma, não diga ‘que nojo’) e do Fagundes. Então fiquei esperando (torcendo, na verdade) para encontrar um furinho de celulite na Letícia Spiller, que desfilou de maiô. Mas a moça se garante até em alta definição: nada de casca de laranja ou coisa que o valha.

Ouvida só uma vez, a lição de Tarcísio Meira ao filho postiço teria sido o melhor texto do capítulo. Mas no flashback do Dalton Vigh, o herdeiro, ouviu-se Tarcísio repetindo duas, três vezes (e aí meio que cansei) a dica de que tem gente na vida que está só à espera de ser passada para trás por alguém. “E nós”, dizia o mestre-pai, “temos que lhes prestar esse favor”.

Dalton Vigh vai bem de canalha. Canalha com dor de consciência é sempre mais vida real que vilão sem ponto fraco. Mas Adalberto é muuuuito canalha, o que conspira a favor da audiência.

A abertura, enfim, dá uma folga à bossa e à fossa, com samba em Gonzaguinha, gravação original de quem acredita na rapaziada. Na tela, os takes de cidade maravilhosa vistos nas aberturas das duas últimas novelas do horário dão vez a 1.500 maquetes de barracos de favela, sem pretensões outras que não sejam expor o belo trabalho do artista plástico Sérgio Cezar.