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Do Zé Bonitinho ao (quase censurado) Professor Tibúrcio

Cristina Padiglione

26 Abril 2011 | 10h43

Antes tarde que nunca.

Mediei, na semana passada,um encontro “eletrizante”, como disse o Marcelo Tas ao final da sessão, entre ele mesmo, Tas, e nosso lendário Zé Bonitinho, ou melhor Jorge Loredo, quase 87 anos feitos, diante de uma plateia eclética nas dependências da AASP, Associação dos Advogados de São Paulo. A cena foi obra promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil, ali mesmo na Álvares Penteado, quase em frente à sede da AASP, mas como havia muitos interessados em Loredo e Tas, o CCBB atravessou a rua e pediu espaço maior ao vizinho.

Loredo nos contou como nasceu seu Zé Bonitinho, obra de um tempo em que as experimentações não dispunham da plataforma que é hoje a internet, mas que, em compensação, contavam com tolerância bem maior de diretores e roteiristas em espetáculos ao vivo. Loredo fazia uma espécie de claque, engrossando os risos de plateia de programa de TV, quando começou a ser notado a ponto de substituir alguém do elenco que em dada ocasião não aparecera.
Contou ainda que, adolescente, descobriu sua vocação para fazer rir num espetáculo improvisado num sanatório.

A plateia se esbaldou.

Tas narrou peripécias de seu Ernesto Varela, como não poderia deixar de ser, mas contou histórias de que eu jamais tinha ouvido falar. Como o dia em que a direção da TV Cultura quase censurou o professor Tibúrcio. O personagem, criação de Tas assim que ele desembarcou de volta no Brasil após dois anos de estudo de cinema em Nova York, tinha o aval do cineasta Fernando Meirelles, seu amigo de longa data e então responsável pela realização da safra infantil na Cultura daqueles tempos. A direção da emissora, no entanto, achou que o personagem assustaria as crianças, e lá foi seu intérprete defender pessoalmente a criatura, com base em todos os seus estudos sobre a obra de Buster Keaton. De mais a mais, sustentou Tas, com efeito, toda criança fica estimulada com essa sensação de um pequeno medinho.

Mudando de assunto, alguém na plateia quis saber se o CQC não sofria pressão da Band ou, indiretamente, de políticos insatisfeitos com o escárnio provocado pelo programa.
Tas então defendeu a importância dos anunciantes. Disse que muita gente vê no excesso de propagandas um problema, e definitivamente, aquilo é pura solução. Porque hoje, com aquele monte de merchandisings, “não é qualquer senadorzinho que vai tirar o programa do ar”, comentou. O boon comercial assegura a presença do CQC e sua proposta. “Os seis primeiros meses do programa foram os mais difíceis, porque tínhamos só 1 patrocinador”, lembrou o âncora.

No encerramento, um garoto de 13 anos fez valer suas perguntas, entregou um CD com imagens suas a Tas e sorria de orelha a orelha ao ouvir sua mãe contar ali, diante de todos, que o filho e os colegas de escola passavam sempre as manhãs de terça-feira a bocejar na aula, dado o tarde do sono da véspera, justamente por causa do CQC.

Para coroar, Loredo, instigado por Tas, aderiu ao Twitter naquele mesmo dia e já se perguntava ali, após o encontro, se era normal juntar mais de 700 seguidores em algumas horas.
Não é normal. É coisa para Zé Bonitinho.

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