Titãs farão aparição histórica com Arnaldo, Gavin e Nando Reis

Estadão

05 Outubro 2012 | 07h00

 

Emanuel Bomfim – Território Eldorado

A presidente Dilma Rousseff não deve ir ao próximo show dos Titãs, nem aparenta ser uma fã de carteirinha da banda, mas sua retórica não dispensou “a comida, diversão e arte” ao entregar o Ministério da Cultura à Marta Suplicy.

O “efeito titânico”, que já foi mais retumbante, ainda sobrevive no senso comum, nas ondas do rádio, no coração de muitos fãs e até nos discursos oficiais.

No dia 6 de outubro, ele estará mais vivo do que nunca. Subirão ao palco do Espaço das Américas, em SP, todos os integrantes do grupo que ajudou a moldar a cena pop/rock brasileira – ainda há ingressos para apresentação. Desde o Acústico MTV, em 1997, eles não dividiam o mesmo holofote. O motivo para a reunião é de festa: os Titãs completam 30 anos de existência. 

“A gente nunca cogitou terminar”, diz o guitarrista Tony Bellotto, mesmo com as baixas sofridas ao longo destas três décadas. Além da morte de Marcelo Fromer, em 2001, Arnaldo Antunes, Nando Reis e Charles Gavin deixaram a formação, que estreou em 1982 com nove pessoas. Ciro Pessoa e André Jung fizeram parte do primeiro time, mas logo saíram. Gavin entrou em 1984 e é o mais recente a “jogar a toalha”, em 2010. Segundo ele, estava ficando impossível conciliar a exigente agenda de shows e o tempo com suas duas filhas.

“Perto dos meus 50 anos, senti a necessidade de dar uma reconfigurada na minha vida. Eu substituí o estúdio de gravação pela ilha de edição”, explica o apresentador do Canal Brasil. Apesar da saída, Gavin não vai abandonar a bateria. Promete para o ano que vem um registro com uma banda formada por Dado Villa-Lobos (ex-Legião Urbana), Toni Platão e Dé Palmeira (Barão Vermelho). O repertório será todo de covers de músicas do pop/rock da América Latina.

Em seu lugar nos Titãs entrou Mario Fabre, que com Paulo Miklos, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, dá conta da formação atual do grupo. A redução impôs novas tarefas aos rapazes, como é caso de Miklos que, além dos vocais, assumiu a guitarra base.

 “Pareço um garoto de 12 anos. Compro revistinha, sou um tarado pela Rua Teodoro Sampaio atrás de pedais e cabos”, se diverte. Bellotto, responsável pela guitarra solo, foi resistente à mudança no começo, mas hoje reconhece o esforço do instrumentista: “Acho que até o fim do ano ele ganha o diploma”, brinca.


Os oito integrantes dos Titãs em 1986 (Reprodução)

As comemorações em torno dos 30 anos de banda deram início em março, com uma série de shows voltados ao disco mais importante da história dos Titãs: Cabeça Dinossauro, lançado originalmente em 1986. “Você não consegue competir com o que já fez”, admite Sérgio Britto ao falar sobre a importância de retomar os clássicos, mesmo quando aglutinados em uma nova roupagem, a exemplo do que fizeram no Acústico MTV. “Apesar de ele ter sofrido críticas severas na época, o sucesso foi tão grande que com o tempo as pessoas reconheceram ali um disco com méritos”, defende.

Mais do que compartilhar preferências e amizades, os Titãs tiveram um papel importante na explosão do rock brasileiro nos anos 80. O desafio, que se estendeu a outras bandas da época, como Paralamas e Legião, era criar uma identidade própria e que fugisse da mera reprodução do punk e pós-punk que se praticava na Inglaterra. “Nossa geração incluiu o punk rock na música brasileira. E, além de incluir o punk, olhou para dentro da MPB. Nesse sentido, acho que os Titãs têm muito a ver com o tropicalismo”, analisa Gavin.

Paulo Miklos ainda enaltece a influência da cidade de São Paulo no som da banda: “A gente nunca poderia fazer música de apartamento. Nosso cenário não é bucólico. E o barulho que a gente fazia tinha que ser ensurdecedor, porque faz parte de nosso habitat”. Britto faz coro aos colegas: “Riffs de guitarra enxutos, vocais gritados, esses slogans, economia de elementos, são vários traços que nos diferenciam como banda.”

Ainda não há confirmação, mas é bem provável que o show dos 30 anos vire DVD logo. Em cena, um caminhão de hits promete saudar antigos fãs e convidar novos admiradores a conhecer a obra do grupo paulistano. “A motivação é a mesma de sempre: a paixão pela música e pelo palco. Essa é a minha vida e essa é a opção que fizemos como banda e como indivíduos”, conclui Branco Mello.

Serviço:

TITÃS 30 ANOS
Espaço das Américas
Dia 6 de outubro. 22h30. De R$ 60 a R$ 200. Call Center Ticket360: (11) 2027-0777

Mais conteúdo sobre:

Arnaldo AntunesNando ReisTitãs