The Darkness: divertindo-se ao lado de Lady Gaga

Estadão

04 Outubro 2012 | 17h00

JOTABÊ MEDEIROS
 
Escolhidos por Lady Gaga pessoalmente para abrir sua turnê, os ingleses da banda The Darkness – que ressuscitaram o glam rock e os gritinhos das mais excessivas óperas rock – estão de volta. Eles chegam pela primeira vez ao Brasil nesse bonde da turnê Born This Way Ball, em 9 de novembro (Parque dos Atletas, Rio) e 11 de novembro (Estádio do Morumbi, SP).

Primeiro, toca a DJ Lady Starlight. Depois, o Darkness faz show de meia hora no aquecimento, tocando de I Believe in a Thing Called Love e Love on the Rocks with No Ice, até Permission To Land e a novíssima Nothin’s Gonna Stop Us (do disco Hot Cakes, que a EMI acaba de lançar no Brasil).

O grupo vem de Lowestoft, Suffolk, Inglaterra, e esteve separado alguns anos. Reuniu-se de novo no ano passado. Justin Hawkins, o cantor e líder flamboyant do Darkness, falou sobre a experiência (a banda ainda é formada pelo irmão de Justin, o guitarrista Dan, Frankie Poullain, baixo, e Ed Graham, bateria).

Como tem sido a experiência de abrir os shows de Lady Gaga?

Muito divertido. Fomos a países nos quais nunca estivemos antes. Fomos à Europa do Leste, Romênia, Bulgária, tocamos para novos públicos que nunca nos veriam em outras circunstâncias. Públicos de 50 mil, 100 mil pessoas.

Mas o show dela é legal?

É bacana de ver, tem os fogos de artifício, os dançarinos. Assisti ao show dela toda noite, mais de 20 vezes. Então, deve ser muito bom.

Tem muito a ver com vocês também, o lance da teatralidade, não?

Em algum momento da nossa carreira, a teatralidade foi muito importante. Mas toda a coisa sobre ter uma banda é saber experimentar em mais de uma direção, não ficar preso a uma única forma de atuar. Houve um momento em que mudamos, por achar que estava ficando mais teatro do que música. Esse nosso novo disco é diferente, queremos que seja visto como uma coleção de canções com um conceito. Mas eu entendo também o lance da superteatralidade.

O que mais influenciou o Darkness em sua carreira?

Eu e Dan (Hawkins) crescemos ouvindo as primeiras coisas do Queen. Nossa família era louca pela banda, pelo Freddie Mercury. E também por jazz. Mas a gente também adorava ouvir o hard rock da época, AC/DC, Aerosmith. Claro, não mencionei David Bowie and the Spiders from Mars porque seria demasiado clichê. Mas é um dos meus álbuns favoritos. Entretanto, nós nunca mencionamos esse disco como influência.

Quando vocês lançaram seu primeiro disco, houve um hit monumental, I Believe in a Thing Called Love. Você acha que o sucesso daquela música aprisionou vocês em uma imagem?

Foi maior do que esperávamos. Aquele disco vendeu um milhão de cópias, virou sucesso na MTV, nas rádios, em todo lugar. E vivíamos uma sensação oposta, tínhamos um sentimento de banda punk. Sabe, aquela coisa de “i don’t give a shit?”. Não nos importava se fizesse sucesso ou não. Foi uma contradição. O que aconteceu agora é que retomamos aquele sentimento, com mais maturidade. Você tem de liberar a si mesmo, tem de acreditar de verdade no que canta.

Vocês gravaram, nesse disco novo, Street Spirit (Fade Out), canção do Radiohead. É um tributo ou uma ironia?

Gravamos porque amamos o Radiohead. Quando eu tinha 19 anos, meu pai me copiou um CD do Radiohead, era uma época em que todo mundo tinha uma cópia daquele disco, e achei brilhante. Depois, saiu OK Computer e fiquei ainda mais fã do grupo. Com a gravação, queríamos demonstrar nossa admiração pela banda.

E o Brasil? Qual é o seu nível de conhecimento do País?

Muito pequeno. Não sou muito bom em geografia. Sou um cara de uma cidadezinha, sou do interior. Quer dizer, vivi em Londres um tempo, mas sou interiorano. É excitante para mim ir tocar aí porque nós sabemos que temos fortes seguidores, fãs muito dedicados no Brasil.

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