Steve Harris se dá bem longe do Iron Maiden

Estadão

18 Outubro 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

O baixista do Iron Maiden, Steve Harris, decepcionou boa parte dos fãs, mas agradou muito ao seu próprio ego. Em nenhum momento ele pensou diferente nas sessões secretas de gravação de “British Lion”, o seu primeiro álbum solo. Era óbvio que ele faria de tudo para afastar os parentescos com o som de sua banda original, tão característico como idolatrado. E Harris caprichou neste quesito: só o baixo pesado e insinuante remente ao seu trabalho com o Iron.

A decepção dos fãs fica por conta do direcionamento musical, mais voltado para um hard rock com pegada moderna, esbarrando quase sempre no rock alternativo, principalmente pelo timbre de voz do cantor Richard Taylor, pouco conhecido fora da Grã-Bretanha.

As guitarras de David Hawkins também seguem o padrão que lembra o trabalho de bandas mais novas, como Muse e até mesmo Radiohead, mas com muito mais imaginação e inspiração.

Com Kevin Shirley na mixagem – cujos créditos incluem Iron Maiden, assim como Led Zeppelin, Journey e Rush, entre muitos outros – Harris conseguiu deixar o som limpo e cristalino, mas sem deixar o peso de lado – ok, o álbum poderia ser bem mais pesado.

“Eu sempre me orgulhei de ser britânico. E não vejo qualquer razão para que não pudesse ser. Não é como se eu estivesse carregando uma bandeira ou tentando pregar, não é uma declaração política. É como apoiar o time de futebol, de onde você vem. Acho que o nome oferece um imaginário realmente forte também, então, para mim, isso se encaixa com o som”, explica Steve.

Falta mais peso? Sim, especialmente nas guitarras, mas é um álbum que deve ser apreciado sem a sombra do Iron Maiden: denso, diversificado, criativo, mas longe do heavy metal que moldou a carreira de Steve Harris.

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