Shirley Manson, do Garbage, fala do orgulho em ser influência para cantoras

Estadão

07 Outubro 2012 | 18h00

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo

Garotas boas vão para o Paraíso, garotas más tornam-se referências eternas, caso da escocesa Shirley Manson. À frente da banda Garbage, a partir de 1994, a cantora deu régua e compasso para inúmeras seguidoras, como Katy Perry, Beth Ditto, Kate Nash, Lily Allen e outras. Ao lado do baterista Butch Vig (que produziu Nevermind, clássico do Nirvana), ela emplacou hinos imemoriais, como Only Happy When it Rains e Stupid Girl, e vendeu mais de 17 milhões de álbuns.

 A banda foi formada em 1994 em Madison, Wisconsin - Divulgação

Divulgação
A banda foi formada em 1994 em Madison, Wisconsin

A boa notícia é que Shirley Manson, hoje com 45 anos, está de volta com o Garbage, a bordo de um novo disco, Not Your Kind of People, o primeiro desde Bleed Like Me, de 2005. E o Brasil é uma das primeiras paradas de sua nova reunião – são uma das atrações do Planeta Terra Festival, no dia 20 de outubro, no Jockey. Shirley falou ao Estado sobre esse novo retorno. “Vou ser franca com você: nunca fomos à América do Sul porque nossa gravadora não tinha interesse. Achava desnecessário, e nós aceitamos. Por isso, quando resolvemos voltar, decidimos que iríamos a lugares que nunca tínhamos ido antes, e o Brasil estava no topo da lista”, afirmou a cantora.

Shirley disse que conhece Beth Ditto, da banda Gossip, que vai dividir o festival consigo, e que a considera excelente tanto como cantora como referência feminista. “Sinto que as feministas passaram uma geração inteira sentindo vergonha de se assumirem feministas. Eu sou uma feminista, sempre estarei interessada em defender os interesses das mulheres. É notório que um homem usufrui de vantagens em relação às mulheres em certos lugares, certas situações. Isso não mudou”, ponderou Shirley.

“Mas, por outro lado, não sou uma radical. Sempre trabalhei com homens nas bandas, sempre tivemos respeito mútuo. Mas é fato que hoje, tristemente, há poucas vozes feministas nos palcos. Eu considero que Beyoncé, por exemplo, é uma grande feminista. Ela ajuda a luta das mulheres por ser naturalmente articulada, linda, talentosa, e não diz asneiras”, afirmou a cantora, que disse ter ficado muito triste com o julgamento das russas do grupo Pussy Riot. “Estão sendo punidas por serem liberais e liberadas.”

E diz que fica orgulhosa quando uma cantora da nova geração a procura para dizer que foi influenciada por ela. “É uma coisa maravilhosa, uma honra. Florence, de Florence and the Machine, veio me dizer isso, e ela é fantástica. Lady Gaga também. Eu me sinto como se estivesse passando o bastão adiante. Eu recebi o bastão de Debbie Harry, ela significou o mesmo para mim. E Chrissie Hynde, uma grande inspiração com sua alegria, seu senso de urgência. Eu a conheci, viramos amigas. Há poucas artistas assim hoje, que são arquitetas de sua própria carreira.”

Shirley concorda que a marca do novo álbum do Garbage, Not Your Kind of People, seja o ecletismo. “Há coisas mais sombrias, porque eu me sinto assim às vezes. Há coisas mais pop, mais rock. O ser humano não é uma coisa só, e quando eu canto para uma plateia, eu fico fascinada pela atenção das pessoas. Então, isso me inspira a fazer música que incite uma rebelião alegre, que carregue mensagens e ideias diferentes.” Sobre a nova reunião do Garbage, que parecia assunto encerrado, ela diz: “Voltamos porque amamos a música. A essência do que sou é minha música. E essa banda me entende”.

Atrações
Além do Garbage e Gossip, Planeta Terra terá Kings of Leon, Azealia Banks, Best Coast, Maccabees, Kasabian, Suede, The Drums e Little Boots, além dos brasileiros Mallu Magalhães, Uó e Madrid

Mais conteúdo sobre:

GarbageShirley Manson