Sepultura saboreia a tranquilidade e Andreas Kisser projeta biênio cheio

Estadão

09 Outubro 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

Ultimamente nada tem sido capaz de tirar o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura. Mesmo com uma não tão recente troca de bateristas, o grupo brasileiro de heavy metal, o combo nacional mais conhecido e de prestígio no exterior, passa por uma de suas fases mais tranquilas.

O entrosamento de Eloy Casagrande, o novo baterista, foi perfeito e ajudou a dar um toque mais pesado e moderno a “Kairos”, o ótimo CD lançado em 2011. Com agenda lotada de shows e reverenciada em todos os países onde toca, como havia muito tempo não acontecia, o Sepultura tem a difícil missão de superar o alto nível atingido no álbum mais recente.

“Ainda compensa, e muito, compor e lançar músicas e álbuns inéditos. É vital para um artista. A situação do mercado fonográfico não é boa? Correto. Mas as necessidades artísticas superam essas adversidades. São quase 28 anos de trabalho e existência, o Sepultura tem a necessidade de criar coisas boas e novas”, diz o guitarrista.

Recentemente agraciado com a honraria de ser o primeiro músico brasileiro a ser incluído no mural-parede da fama dos Beatles, em Liverpool, na Inglaterra, o Kisser não ter pressa em acelerar projetos pessoais e do grupo. Quer é aproveitar o bom momento da banda e esticá-lo com muitos shows.

Formação atual: Eloy Casagrande é o último à direita

Essa estabilidade tem muito a ver com o apoio da gravadora alemã Nuclear Blast, que lançou “Kairos”. “É a maior gravadora de metal do mundo, gerenciada por gente que adora a música e adora metal. A relação profissional, neste caso, ultrapassa qualquer desafio ou adversidade mercadológica. Eles acreditam no que fazem e em quem apoiam.”

Enquanto já pensa em um próximo trabalho do Sepultura junto aos colegas – Casagrande, Paulo Xisto Jr. (baixo) e Derrick Green (vocais) –, Kisser fala com entusiasmo do documentário sobre a história da banda, que está sendo pilotado pelo diretor Otávio Juliano.

O cienasta acompanhou de perto as gravações de “Kairos” e vários shows da turnê de promoção do álbum e promete uma fita diferente, não somente um documentário puro e simples. “Claro que haverá entrevistas com ex-membros do grupo e de pessoas que foram importantes para a nossa trajetória, mas o foco no presente é um item importante neste projeto”, esclarece Kisser.

Kisser é homenageado em setembro em Liverpool, a terra dos Beatles

Além do projeto do documentário, a banda também começa a pensar nas comemorações dos 30 anos de criação do Sepultura. O guitarrista evita se aprofundar no assunto, até porque é bem provável que qualquer ideia ainda esteja em estágio inicial. Entretanto, ele garante que haverá eventos para marcar a data.

Mais distante e etérea é a intenção de gravar um terceiro álbum solo. O surpreendente “Hubris I and II”, de 2009, teve boa aceitação entre os fãs do Sepultura e chamou a atenção de outros públicos para o bom gosto e a qualidade do trabalho instrumental. “Foi um prazer elaborar aquele trabalho, mas trabalhoso por conta de agendas apertadas. Já tenho alguns temas compostos, que precisar de finalização ou lapidação, mas ainda não sei como e quando terei condições de gravá-lo. Só sei que não será um álbum duplo e que será mais compacto, será gravado em menos tempo.”

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