Os festivais que apoiam a luta do bluesman Ricardo Werther

Estadão

01 Outubro 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Os cinco cariocas estavam meio acanhados no pequeno e estreito palco da extinta casa Jazz&Blues, em Santo André (ABC paulista). O barulho era grande naquela que outrora fora uma sala de estar de uma casa térrea na área mais nobre da cidade.

As pessoas acharam graça do nome do grupo de blues, ao ler um dos inúmeros cartazes espalhados pela entrada do recinto. Na foto, eles faziam cara de maus, em nada parecida com os cinco pacatos músicos tomando água e esperando a hora certa para iniciar os trabalhos – Fábio, um dos proprietários, era rigoroso neste sentido.

Mas eis que, demonstrando certa impaciência, o vocalista resolve subir ao palco, ligar a mesa de som e ignorar as conveniências da casa. “Vamos começar logo, pessoal”, convocou os quatro companheiros. “É hora de tremer esse coisa aqui.”

E o Big Allanbik calou o bar inteiro com um dos melhores blues já produzidos por artistas nacionais naquele inverno de 1994, mesclando o tradicional com pitadas de blues rock e influências de ritmos brasileiros. E Ricardo Werther assombrou os presentes com uma voz rouca e potente, um timbre muito diferente do que as pessoas ali tinham ouvido. 

O Big Allanbik acabou faz tempo, e legou ao blues nacional um dos grandes instrumentistas do gênero, Gilson Szrajbman, o Big Gilson. Ricardo Werther engatou uma bem-sucedida carreira solo e lançou em 2010 o excelente “The Turning Point”, bastante elogiado no exterior.

E foi durante os preparativos para a turnê brasileira do álbum que o músico descobriu uma obstrução intestinal. Na cirurgia, os médicos constataram a existência de um tumor maligno, que foi extirpado. O tratamento e as várias internações e cirurgias subsequentes interromperam a carreira e drenaram todos os recursos acumulados em quase 20 anos nos palcos.

“Perdi 53 quilos em pouco mais de um ano, os médicos retiraram mais de 40 centímetros do intestino e tive de passar por uma completa reeducação alimentar. A luta tem sido brava, mas estou me recuperando e não vejo a hora de retomar a carreira”, diz Werther.

O plano de saúde só cobriu uma parte do custos totais do tratamento e ele está recebendo a ajuda financeira de amigos e parentes. Mas ainda é insuficiente para fazer frente à demanda financeira. “Eu e minha família seguramos até onde conseguimos, mas agora estamos realmente necessitados de ajuda de amigos, fãse d e quem puder contribuir.”

Uma página na rede social Facebook foi aberta para incrementar a arrecadação de fundos, incluindo a venda de gaitas da marca Bends por R$ 60. Ao mesmo tempo, velhos camaradas e amigos se mobilizam para organizar shows beneficentes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

'The Turning Point', o último trabalho de Ricardo Werther

Uma das iniciativas tem a liderança do ótimo guitarrista paulista Amleto Barboni. Ele corre contra o tempo para viabilizar um local em São Paulo para fazer um show ou até mesmo um minifestival, e já conta com o apoio de feras como André Christóvam e Marcos Ottaviano (ex-Blue Jeans).

“Conheci o Ricardo em um festival bastante interessante em 2008 no Rio de Janeiro. Fizemos uma jam juntos e depois ele tocou no meu show e no do André Christóvam. Ficamos amigos e mantivemos contato desde sempre. Vamos tentar ajudá-lo no que pudermos”, afirmou Barboni.

Mais adiantado está o Festival Ricardo Werther, que deve ser realizado em quatro datas no Club Noir, teatro paulistano localizado na rua Augusta, 331, próximo ao Centro de São Paulo. O evento tem como uma das organizadoras Fernanda D’Umbra, vocalista da banda paulista Fábrica de Animais.

A ideia é realizar as shows nos dias 12, 13, 19 e 20 de outubro e a confirmação do evento deve ocorrer logo. Já confirmaram participação Saco de Ratos, La Carne, Seminal, Stoned, Paulo de Tharso, Marcelo Watanabe “Chic Show” e a própria banda Fábrica de Animais.

A página sobre Ricardo Werther e sua campanha pode ser acessada cliacando aqui.

Os amigos e fãs que quiserem contribuir para o tratamento do músico podem fazer por meio dos seguintes dados:

 Ricardo Werther

Bradesco / Ag: 3462-2 / Conta: 7588-4 / Ricardo Monteiro da Silva. ou da Renata Faria

CEF
Ag: 0193
Conta POUPANÇA: 00423879-9
Renata Freire Faria – CPF: 030.154.807/23