Os empresários e a música

Estadão

25 Outubro 2012 | 06h52

Henrique Papatella – músico da banda Scarcéus

Os maiores astros do mundo da música, em parte, foram construídos graças à empresários visionários e competentes. Competente não quer dizer ‘bonzinho’… Mas o compromisso número 1 do empresário é o lucro! É errado isso? NÃO!

Se amanhã a modalidade ‘assassinato ao vivo musicado’ começar a gerar bons dividendos o empresariado vai conseguir empurrar isso goela abaixo da massa … Exageros à parte, o empresário não está nem aí para a qualidade do produto que ele quer vender! Ele quer é vender, exaurir ‘aquilo’ até onde for possível e ponto final.

Meus cumprimentos aos empresários que ao menos vislumbram algo lucrativo antes dos outros e trabalham honestamente … Isso porque, a maioria destes que atuam na área musical, se concentram na repetição de fórmulas e isso sim é um ‘desserviço’ cultural à sociedade. Mas …

Com a lacuna deixada pela ‘falência’ das gravadoras, os empresários e escritórios musicais entraram de sola nesse mercado. As rádios (que são as principais mídias da engrenagem musical) perderam os ‘benefícios’ propiciados anteriormente pelas gravadoras atualmente quebradas e foram ‘adotadas’ pelos empresários/escritórios particulares …

Se antes havia um diretor artístico de gravadora para filtrar ‘um pouco’ o que iria às prateleiras das lojas de discos, agora quem toca nas grandes redes de rádio é quem tem o ‘combustível’ para lá estar …

Ou seja, o empresário, através de sua influência e poderio econômico (algumas vezes de origem duvidosa…), põe o seu artista na mídia (que em geral segue o mesmo trâmite das rádios), seja ele talentoso ou não! Aí o lema da atualidade é o seguinte: SALVE-SE QUEM PUDER!

Na verdade, todo esse processo é discutível em sua base pois se os principais canais de mídia (rádios, TVs, etc) são concessões governamentais, teriam que ser mais democráticos. Música virou anúncio, propaganda e os espaços na mídia são vendidos como tal. É óbvio que não são todos os meios que se portam de maneira tão voraz.

Ainda vemos coordenadores e donos de rádios com comprometimento com a qualidade e de bom senso. O problema é que com a lavagem cerebral imposta à massa, as próprias pessoas, consumidores de ‘música’, o ‘respeitável público’, passam a consumir e exigir, tal como dependentes químicos, esses ‘produtos’ na mídia. Caímos todos na mesma armadilha. Nos tornamos reféns dessa engrenagem do mal.

Nesse cenário nefasto em questão, o que não faltam são as ‘maracutaias’ … É comissão pra isso, uma ‘beiradinha’ pra aquilo, o amigo do fulano que tem o contato do ciclano que vai custar $reais …

Os roubos descarados, os que se fingem de bobos… Os ‘ladrões de galinha’, os pilantras de médio porte, os tubarões que podem te destruir num piscar de olhos … Junte todas essas dificuldades à tradicional malandragem nata do brasileiro, à uma preguiça intelectual reinante e às limitações espirituais da maioria dos seres humanos e o que se apura é o CAOS!

O curioso e digno de menção, é que todas as pessoas que ajudaram EFETIVAMENTE ao Scarcéus (banda da qual faço parte como compositor e vocalista há 13 anos) com a viabilização de programas de TV de expressão, trilhas que nos possibilitaram divulgar nossa obra, ‘parcerias’ de renome artístico e midiático, parcerias empresariais, execução real e permanente de nossas músicas em algumas rádios, não nos cobraram um centavo por isso! À esses idealistas, o meu sincero agradecimento!