O confiante retorno de Cat Power

Estadão

22 Outubro 2012 | 22h00

Roberto Nascimento

A consistência com que Cat Power produz canções afiadas é incomum nesta era de déficit de atenção e sucesso efêmero. Talvez isto tenha a ver com a natureza atormentada de sua alma, cuja reflexão musical oscila entre angústia e coragem no meio do furacão desde os idos noventistas de Moon Pix.

Em outras palavras, se Chan Marshall ainda tem algo interessante a nos dizer em seu oitavo álbum, Sun, é bem capaz que ela jamais pare de fazer música pertinente. Sun, no entanto, como sugere o título, é menos sofrido do que se esperava de uma cantora conhecida por alcoolismo, abuso de substâncias e performances insandecidas.

O “blues” de Marshall, se não curado, parece ter cicatrizado com o tempo, e dá vez, agora, não a uma expressão tranquila de sua alma, mas uma mais confiante.

A confessional Cherokee, “nunca conheci um amor assim, nunca conheci uma dor assim, nunca conheci uma vergonha assim, e agora sei por quê”, fala sóbria, sobre sofrimento, purificada, como se Marshall visse a dor à distância, sem esquecer de sua sensação, mas enxergando-a de forma mais esclarecida.

É um gesto recorrente nas faixas de Sun, que mescla indie rock e dance em uma estética que soaria ineficaz não fossem as letras e melodias de Marshall. Destaques para Ruin, Always on My Own e a faixa-título.

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