O blues apocalíptico dos Swans

Estadão

29 Outubro 2012 | 22h00

Roberto Nascimento

O desejo assassino com que o Swans desaba sobre acordes e ritmos coloca a banda em um patamar intocável. São pauladas, o equivalente musical de Hannibal Lecter espancando, sadicamente, um policial em O Silêncio dos Inocentes. O crime e a satisfação alucinada de repeti-lo.

 Desde os anos 80, o grupo de Michael Gira recria musicalmente esse desejo. Trata-se de um grupo de rock experimental com um apreço por texturas exuberantes e faixas longas, como a título, de mais de meia hora em seu novo disco, The Seer.

A faixa é um épico de blues apocalíptico, o som de uma cidade no velho oeste após uma chacina, cheiro de sangue e de fel no ar, uma gaita desesperada justaposta a uma guitarra solitária. “30 anos”, disse Gira, foi o tempo que demorou para exprimir a energia visceral que permeia as faixas de The Seer.

De certo, não há outra forma de explicar como um caubói veterano produz algo tão intenso que não esteja apenas em conjunção com seu tempo – algo já raro –, mas também soe mais vivo e faminto do que discos de bandas com um quinto da quilometragem. Nada menos digno da palavra “demolidor”, aquele desgastado superlativo do jornalismo musical brasileiro.

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