Janis Joplin – A dama suja do rock n'roll

Estadão

06 Outubro 2012 | 22h34

Paulo Severo da Costa

Nos pré-globalizados anos cinqüenta, o mundo foi invadido por uma geração de marginais literários denominados beatniks. Em uma cena anterior a passagem dos hippies por esse planeta, nomes como WILLIAM S. BURROUGHS, ALLEN GINSBERG e JACK KEROUAC, inundaram o encéfalo de uma sociedade a beira do nilismo pós- guerra com uma escrita caótica, subversiva, junkie e que foi o diploma de graduação de JIM MORRISSON, LOU REED, LENNON entre outros iluminados.

 Os beats – como também eram chamados – simbolizaram o ritual iniciático de uma instância poética que, como todo fenômeno cultural que se preze, se alastrou para fora do seu meio, criando uma postura comportamental e ideológica própria, hedonista e sem amarras. Se do punk emergiu, anos depois a ferramenta de propaganda do “Faça você mesmo”, dos beats vieram a inspiração para “Faça por você mesmo”. E assim se fez.

 Nascida em Port Arthur, Texas, em 1943, JANIS LYN JOPLIN, foi a personificação do desregramento e da porralouquice de uma personagem de “On The Road”. Vibrante e, ao mesmo tempo, solitária como um lamento de blues, JOPLIN cuspiu em todos os paradigmas pré-revolução sexual; se comportava como um animal em estado selvagem mas, por dentro, se corroía como qualquer mulher escanteada e infeliz.

 Muito se fala sobre sua voz “negra”, sua fármaco-dependência, sua entrega a esbórnia, sua surreal passagem pelo Brasil. Cada fragmento de sua vida é um capítulo que transita entre o amargo e o sublime, uma extratificação do blues doente e que ceifava muito cedo naqueles nebulosos anos. Séculos antes de COBAIN e WINEHOUSE, JOPLIN mostrou que havia algo que girava rápido demais no caminho do rock n´roll e que escolheria a idade de vinte e sete anos como uma referência lapidar.

 JANIS chorou, grunhiu entregou toda sua alma e garganta pedindo a Deus que lhe desse uma Mercedes Benz ou desafiando a levarem outro pedaço de seu coração. Janis provou que rock ´n roll exige derramamento de sangue e levou isso às últimas conseqüências. Sofreu, xingou, bebeu, “folkeou’ o rock, “embluesou”o jazz e se manteve sólida, devastadora e única até o dia 4 de outubro de 1970. Era a dama suja do rock n´roll – a mulher que precisava mostrar o tempo inteiro que agüentaria ser tão macho quanto os outros, seja a que preço fosse.

 

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