Garbage arrebata o público do festival Planeta Terra 2012

Estadão

22 Outubro 2012 | 19h18

Adriana del Ré e Igor Giannasi

 

Filipe Araújo / AE
Filipe Araújo / AE

Mesmo sem ter um grande nome como chamariz em seu line-up, a exemplo das edições passadas – vide Strokes no ano passado, Smashing Pumpkins em 2010 e a cantora Lily Allen em 2007 –, o festival Planeta Terra 2012 manteve a trajetória de sucesso do evento. Com ingressos esgotados, a maratona de 11 horas de shows levou 30 mil pessoas anteontem ao Jockey Club de São Paulo, para onde o festival foi transferido depois que o Playcenter foi desativado.

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O novo endereço, aliás, funcionou bem. Melhor até quando comparado ao festival Lollapalooza, que estreou no Brasil em abril deste ano e também ocupou o Jockey. Com dois palcos, três a menos do que o Lolla, esta sexta edição do Terra mostrou-se mais organizada – e menos confusa – do que a logística do outro festival. Além disso, o público encontrou facilidade para se deslocar de um palco ao outro. Não teve o charme de um parque de diversão como cenário, como acontecia no Playcenter, mas o novo lugar, espaçoso, não deixou a desejar.

Além disso, os shows começaram com uma pontualidade britânica, o que é de extrema importância para todos os envolvidos, incluindo bandas e público, em se tratando de um festival com uma programação extensa. Por outro lado, houve problemas de som no palco principal.

De volta ao Brasil, o Kings of Leon fechou a noite no palco principal com uma apresentação inicialmente morna, que só foi empolgar mais a plateia quando o grupo de Nashville, formado pelos irmãos Caleb (guitarra e vocal), Jared (baixo), Nathan (bateria) e pelo primo deles Matthew (guitarra), da família Followill, tocou hits como Sex on Fire e Use Somedoby (ambos do álbum Only by the Night, de 2008). A canção Molly’s Chambers, sucesso que fez a banda ficar conhecida, no início dos anos 2000, abriu a apresentação, seguida por Taper Jean Girl, Four Kicks – essas duas do segundo disco, Aha Shake Heartbreak – e The Immortals, do trabalho mais recente, Come Around Sundown (2010).

Econômico na comunicação com os fãs, Caleb disse que eles eram o melhor público que tiveram neste ano. Em outra interação, o vocalista comentou que estava havia muito tempo na estrada e que a voz dele estava um pouco ruim, pedindo, então, para quem quisesse que cantasse com ele e emendou com Pyro. Terminada a apresentação de uma hora e meia, os rapazes distribuíram tchauzinhos e jogaram baquetas e palhetas para a pista.

Antes do quarteto, a banda americana Garbage, liderada pela escocesa Shirley Manson, protagonizou um dos melhores shows desta edição do festival. Com um atraso de duas décadas, o grupo se apresentou pela primeira vez no Brasil e provou que continua em forma. Muito popular nos anos 90, o grupo, como havia prometido, não deixou de fora seus antigos hits, como Paranoid, Stupid Girl, Milk e Only Happy When it Rains, nem seus lados B e canções do novo disco, Not Your Kind of People, como Automatic Systematic Habit e Control.

Em uma performance vigorosa, a musa ruiva Shirley Manson, mesmo com a pressão de fazer o show dentro do horário, como ela chegou a dizer, fazia questão de falar com o público nos intervalos entre as canções. Em dado momento, se desculpou pela banda ter demorado tanto tempo para vir ao Brasil. “Obrigada a todos que nos esperaram por tanto tempo”, bradou ela. “A razão de estarmos aqui são nossos fãs, que estão aqui esta noite”, também se manifestou o baterista Butch Vig.

Atração anterior ao Garbage, a banda Suede, representante do britpop noventista e que voltou a se reunir em 2010, apostou nos clássicos em sua primeira passagem pelo Brasil. Em uma hora de apresentação, emendou um hit atrás do outro, começando por She, do terceiro álbum, Coming Up, seguida por Trash, Filmstar e Animal Nitratre.

Saltitante e a toda hora brincando de girar o microfone pelo ar, o líder Brett Anderson pouco interagiu com a plateia, só após a quarta música deu um “Oi, São Paulo”, em português, e agradeceu umas três vezes com um “Obrigado”. Já em inglês, falou que seu português era inexistente. Na balada Saturday Night, o vocalista desceu do palco e cantou a música perto do público. Outra balada, The Wild Ones, do segundo disco, Dog Man Star, foi um dos momentos que mais agitaram quem via o show, que teve também We Are The Pigs, Metal Mickey e Cant’t Get Enough, e foi encerrado por Beautiful Ones.

A banda californiana Best Coast e a brasileira Mallu Magalhães já haviam passado pelo palco mais cedo. Única brasileira do palco principal e responsável pela abertura dele, Mallu fez um show curto, de cerca de 45 minutos, com a turnê Pitanga a tiracolo. Visivelmente nervosa, ela chorou enquanto cantava Ô Ana, queixou-se dos problemas de som e pediu para tocar a música de novo. Com o rímel borrando seu rosto, prosseguiu mais calma, alternando-se entre violão e teclado.

Com voz segura e aparência frágil, Mallu cantou em inglês, um de seus fortes como intérprete, em músicas como In The Morning e um cover de All of Me, de Louis Armstrong. Fez outro cover, em espanhol, de Me Gustas Tu, hit de Manu Chao.

Avenida Gossip
Enquanto isso, o palco indie mantinha sua maratona dos “independentes” com um som melhor e boas surpresas. A começar pela vinda da banda Gossip, de Beth Ditto, que finalmente se apresentou por aqui após cancelar dois shows. Teve até direito a “Oi Oi Oi”, famosa na abertura da novela Avenida Brasil, na voz de Beth. Mas quem surpreendeu mesmo foi o quinteto de rock inglês Maccabees, que fez show no final da tarde. Pouco conhecido no Brasil, o grupo ganhou o público do festival pela sonoridade ora suave, ora poderosa – e que algumas vezes lembra o som dos conterrâneos do Coldplay –, e pela simpatia do vocalista Orlando Weeks, que se esforçava para falar algumas palavras em português.

O vocalista Jonathan Pierce, da banda nova-iorquina The Drums, disse estar muito feliz por voltar ao Brasil – eles se apresentaram por aqui no ano passado, no Estúdio Emme – e a sensação parecia ser a mesma entre o público que cantava e dançava suas canções indie pop com influência dos anos 80. Best Friend, Book of Stories e Money – quando Pierce convocou a plateia para dançar – foram algumas das músicas apresentadas. Ao final, o cantor prometeu: “Nos vemos em breve”.

O palco indie havia sido aberto oficialmente pela banda brasileira Madrid, que foi seguida pela Banda Uó, irreverente trio de Goiânia, que se apresentou praticamente na mesma hora que Mallu Magalhães e contrastava com a tímida cantora com uma performance cheia de dancinhas e letras bem-humoradas. O público se divertiu com eles. Houve ainda a boa performance da cantora inglesa Little Boots.

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