Em vez de brinquedo, instrumento

Estadão

04 Outubro 2012 | 12h04

 Valéria França

O paulistano Lucas Borges, de 9 anos, já fala em ter uma banda quando crescer. Usa jaqueta de couro, calça jeans desbotada e bracelete de roqueiro. E o mais importante: Lucas tem uma guitarra de verdade, porém 3/4 menor do que a convencional feita para adultos.

 Lucas, com sua guitarra 3/4, quer ter uma banda de verdade - Marcio Fernandes/AE

Marcio Fernandes/AE
Lucas, com sua guitarra 3/4, quer ter uma banda de verdade

Instrumentos como o de Lucas acabam sendo mais leves, confortáveis e anatomicamente compatíveis com as crianças. E, segundo professores de música, facilitam o aprendizado e não comprometem o desenvolvimento físico dos alunos. Violino, violão e bateria também são encontrados em lojas especializadas na versão kids.

“Tive alunos na escola que choravam quando ensaiavam em casa. Quando conversava com as mães, descobria que estavam tocando em guitarras grandes demais para o tamanho deles. Acabavam forçando muito braços e mãos para alcançar as cordas da guitarra e desenvolviam lesões”, diz Sérgio Sciotti, sócio da escola de música Art Livre.

Como escolher. Apesar de menores, esses instrumentos têm preço de gente grande. “Uma boa guitarra sai por entre R$ 800 e R$ 1,5 mil”, afirma Wanderson Bersani, de 41 anos, coordenador pedagógico da Escola de Música e Tecnologia, que indica as marcas Gibson, Zaganin, Yamaha e Tagima. “É possível até encontrar instrumentos mais baratos, mas eles não duram. Por isso, é melhor investir um pouco mais.”

Na hora da compra, é importante tomar alguns cuidados para não cair em conversa de vendedor. “Examine o braço da guitarra ou do violão. Ele não pode estar empenado, nem que seja de leve”, explica Bersani. “Evite também comprar instrumentos pintados. A tinta pode camuflar o tipo de madeira, um quesito que influencia na qualidade do som. Não dá para comprar um instrumento de compensado, por exemplo.”

Muitas escolas preferem começar a iniciação musical com o piano, considerado um instrumento completo, por ser mais melódico. “Os alunos precisam aprender teoria e as notas da clave de fá e de sol, base musical para qualquer instrumento”, diz Sciotti.

Só que não existe piano pequeno. “Daí a dica é partir para os teclados de pelo menos 5/8 com tecla sensitiva. Há aparelhos que, independentemente da força usada para pressionar a tecla, têm a mesma intensidade de som”, diz Sciotti. Um aparelho desses custa cerca de R$ 400.

“Aparelhos ruins nunca afinam”, explica Sciotti. Por isso, um instrumento musical não deve ser comprado pela internet. Testá-lo faz parte do processo de escolha.